Residências

Superior conta com alojamento local para resolver falta de quartos

Superior conta com alojamento local para resolver falta de quartos

Número de camas em residências pode diminuir por causa da pandemia. Criado observatório sobre mercado.

O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, conta com a disponibilidade do alojamento local e a redução dos preços do mercado de arrendamento para responder aos estudantes deslocados. O número de camas em residências dos serviços de Ação Social pode diminuir por causa das regras de saúde pública impostas pela pandemia. Os novos quartos em edifícios do Estado recuperados "ainda estão em obra".

"Nesta altura, com a disponibilidade do alojamento local, vai haver condições mais favoráveis para o alojamento estudantil. As residências anunciadas em edifícios do Estado, recuperados para o efeito, ainda não estão concluídas, estão em obras", respondeu Manuel Heitor quando confrontado se haverá camas suficientes caso as residências funcionarem com quartos individuais. Neste momento, há 15 mil camas em residências no país para mais de 100 mil estudantes deslocados.

Já há residências a funcionar apenas com quartos individuais, mas a mudança foi facilitada com o ensino à distância. A partir de setembro, tendo em conta o evoluir da covid-19, "nos casos em que não seja seguro manter a capacidade/tipologia dos quartos na conceção anterior à pandemia, a mesma deverá ser adaptada", confirma a tutela.

Receio de abandono

O Governo vai criar um observatório, com "análise diária" à disponibilidade e preços de alojamentos, que estará disponível online "a partir do final de maio".

"Obviamente, o critério do distanciamento físico será cada vez mais importante e, por isso, a situação de termos quartos individuais disponíveis é muito importante e acredito que o novo observatório será importante para dar mais informação aos estudantes em todo o país", explicou Manuel Heitor.

A possibilidade de as residências passarem a funcionar apenas com quartos individuais assusta os estudantes, que receiam o aumento do abandono.

O preço de um quarto em residência para bolseiros ronda os 75 euros mensais. "É certo que o complemento de alojamento para estudantes deslocados vai subir para 219 euros mensais" para quem não consegue lugar em residência, sublinha a presidente da Federação Académica de Lisboa, Sofia Escárnia, mas "a premissa está errada. É uma desresponsabilização do Estado. Já temos casos de senhorios a querer subir as rendas".

"A medida faz sentido, mas acreditar que o alojamento local é a solução é voltar a dar aos privados a resolução de um problema que devia ser resolvido pelo Estado", frisa Marcos Alves Teixeira, presidente da Federação Académica do Porto. Rui Oliveira, da associação Académica do Minho, garante que na UM a redução seria de "quase 50%". "Acredito que muitos estudantes porão em causa a continuidade no Ensino Superior", garante.

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