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Surdos contestam falta de intérpretes nos debates das legislativas

Surdos contestam falta de intérpretes nos debates das legislativas

A comunidade surda já apresentou várias queixas à Entidade Reguladora da Comunicação Social a contestar o facto de o intérprete de língua gestual ser eliminado dos planos de filmagem das estações de televisão, sem que essas queixas tenham surtido qualquer efeito.

A garantia é dada por Renato Coelho, presidente da Associação Nacional e Profissional da Interpretação - Língua Gestual (ANAPI-LG), que se juntou aos protestos, através do envio de um parecer.

Renato Coelho considera positiva a presença regular de intérpretes de língua gestual nas televisões, para transmitir informação relacionada com a pandemia. No entanto, alerta que nem sempre são enquadrados nos planos de filmagem, o que impede a comunidade surda de compreender as mensagens. "A parte da realização está pouco sensível para a inclusão e para a acessibilidade. Se cortam o braço ao intérprete, cortam a comunicação".

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Apesar de aplaudir a presença de intérpretes de língua gestual nos noticiários televisivos, o presidente da ANAPI-LG explica que, muitas vezes, os "quadradinhos" no ecrã da televisão são tão pequenos, que não se veem bem os gestos, o que também compromete a eficácia da comunicação. "Ter um intérprete num quadradinho pequenino é a mesma coisa que não ter. O proveito real não existe".

Sem regulamentação

Quanto aos debates televisivos entre os líderes partidários que concorrem às legislativas, Renato Coelho desconhece por que motivo a maioria deixou de ser interpretado em língua gestual. "De uma forma generalizada, as televisões estão a pecar, o que não democratiza o acesso à informação e permite que as pessoas possam exercer o seu direito ao voto de uma forma informada".

No sábado, dia em que se assinala o Dia Nacional do Intérprete de Língua Gestual Portuguesa, os profissionais do setor continuam a aguardar pela regulamentação da atividade, que Renato Coelho pensa estar para breve.

Quando assim for, acredita que resultará na melhoria das condições de trabalho, ao contribuir para a prevenção de doenças profissionais através de momentos de pausa mais longos. Além disso, considera fundamental melhorar a acessibilidade em serviços públicos e em call centers, e aumentar o número de intérpretes para permitir um sistema de rotatividade.

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