Conferência

Surto no Hospital de São José obriga à retirada de doentes de áreas afetadas

Surto no Hospital de São José obriga à retirada de doentes de áreas afetadas

O surto no Hospital de São José, em Lisboa, obrigou a retirar doentes "das áreas consideradas afetadas", mas neste momento "ainda é precoce dizer o número de casos", afirmou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

A habitual conferência de imprensa de atualização da situação da pandemia de covid-19 em Portugal decorreu esta quarta-feira com a presença da secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira, da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e do presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo.

No início da conferência, a secretária de Estado adjunta e da Saúde revelou que 74% dos novos casos registados em Portugal são em Lisboa e Vale do Tejo. A taxa de letalidade global é agora de 3,6%.

Sobre o acesso aos medicamentos por partes dos doentes, o presidente do Infarmed afirmou que "têm sido desenvolvidas iniciativas pelos hospitais para que possam chegar aos doentes de forma mais cómoda". "Temos vindo a trabalhar em conjunto com os parceiros do setor no sentido de analisar o desenvolvimento deste tipo de iniciativas. Foi necessário definir algumas orientações para reforçar o acesso ao medicamento. No período de abril e maio, em 150 mil doentes, houve mais de 30 mil que tiveram acesso ao medicamento ou no domicílio ou no local de sua eleição", afirmou Rui Santos Ivo. "Há alguns medicamentos que, pela sua segurança, poderão ser dispensados nas farmácias", concluiu.

Sobre a notícia de que alguns doentes, nomeadamente com artrite reumatoide, estarão com dificuldades em levantar medicamentos, a secretária de Estado da Saúde anunciou que o centro hospitalar Lisboa Norte, em particular, já emitiu um desmentido relativamente a essa inacessibilidade. "Está tudo a funcionar na normalidade e todos os canais estão a ser estabelecidos", garantiu Jamila Madeira.

Quanto aos dados por concelho, "ainda não estão disponíveis", mas o problema será ajustado em conformidade, esclareceu a secretária de Estado Adjunta e da Saúde.

Em relação à hipótese de transmissão aérea, a diretora-geral da Saúde lembrou que a OMS "não rejeita essa hipótese", mas que é preciso saber a "dimensão dessa transmissão".

Relativamente ao estudo realizado sobre as linhas de comboio na região de Lisboa e o número de casos - que indicava que não havia relação entre os casos de pessoas infetadas e os transportes públicos-, Graça Freitas disse que o mesmo "carece de outros estudos", sublinhando que era apenas referente a "linhas de comboio".

Sobre a situação em Reguengos de Monsaraz e uma possível cerca sanitária, a diretora-geral da Saúde afirmou que "neste momento a questão das cercas sanitárias tem um contexto diferente". No início eram encaradas "como noutros séculos, isolando grandes áreas", mas à medida que a epidemia foi evoluindo, passaram a haver operações "muito mais cirúrgicas", a "nível micro". Para uma cerca mais alargada têm que estar reunidas determinadas "circunstâncias, que não é o caso neste momento em nenhuma das regiões de Portugal", garantiu Graça Freitas.

Acerca do fim das reuniões do Infarmed e da implementação de um novo modelo, a secretária de Estado Adjunta e da Saúde afirmou que "o ministério continua a ouvir os cientistas diariamente e a promoção de novos estudos e que esse diálogo "é permanente". "O formato mais local que será adotado ainda não consigo clarificar", acrescentou Jamila Madeira.

Sobre o surto no Hospital de São José, "estão a ser feitos testes e foram retirados os doentes das áreas consideradas afetadas", mas neste momento "ainda é precoce dizer o número de casos", clarificou Graça Freitas, informando que "todos os profissionais de saúde e doentes vão fazer testes".

Relativamente ao futebol e à possibilidade de uma celebração dos adeptos caso o F. C. Porto se sagre campeão na quinta-feira, a diretora-geral da Saúde disse que as "recomendações são exatamente as mesmas quanto a qualquer outra efeméride", sendo aconselhada a utilização de máscaras e o distanciamento social, evitando grandes aglomerados de pessoas. Graça Freitas recordou que noutros países houve focos de contaminação em momentos de celebrações.

Em relação à recuperação da atividade assistencial e ao funcionamento dos centros de saúde, Jamila Madeira afirmou que "a retoma tem sido estruturada em conformidade com as condições de segurança". "Todo o esforço está a ser feito no sentido de acelerar essa retoma", assegurou.

"Cada um dos métodos de barreira, seja máscara ou viseira, confere proteção, embora cada modelo possa ter diferentes características e maior ou menor eficácia", disse Graça Freitas. Relativamente às pessoas assintomáticas, estas "podem transmitir a doença e por isso têm um risco acrescido". "Portugal é o país que mais deteta casos assintomáticos", afirmou a diretora-geral da Saúde.

mais duas mortes de covid-19 e 443 novos casos de infeção em Portugal, esta quarta-feira. Doentes recuperados são mais 269.

Desde o início da pandemia, em março, Portugal regista 1631 mortes de covid-19 e um total de 44859 casos confirmados. Já conseguiram recuperar da doença 29714 doentes, segundo o boletim divulgado esta quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde.

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