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Teixeira da Cruz ameaça levar à Justiça deputado do PS

Teixeira da Cruz ameaça levar à Justiça deputado do PS

A deputada do PSD Paula Teixeira da Cruz ameaçou, esta quarta-feira, o deputado do PS Carlos Pereira de avançar para as barras dos tribunais, depois de o socialista acusar o anterior Governo de causar "prejuízos a milhões de contribuintes portugueses" ao não resolver os problemas que o sistema financeiro tinha.

A ex-ministra da Justiça considerou ofensiva a declaração do socialista, com requintes de "sadomasoquismo". Entre os risos da bancada do PS, Teixeira da Cruz pediu ao presidente da mesa do Parlamento "uma certidão das declarações e da intervenção do senhor deputado do Partido Socialista, que acabou de a fazer, para os devidos efeitos que tenderei por adequados".

O presidente em exercício do Parlamento no momento do incidente, Matos Correia, do PSD, disse à social-democrata que tal certidão só pode ser extraída "quando o plenário aprovar a ata desta reunião".

Refira-se que, já na semana passada, a mesma deputada surpreendeu o Parlamento, quando pediu que fosse distribuída pelas bancadas uma ata das declarações de Ricardo Salgado na Comissão Parlamentar de Inquérito à queda do BES, onde o banqueiro elogiou o trabalho desenvolvido pela bloquista Mariana Mortágua naquele processo.

Acusações à Direita

Carlos Pereira aproveitou as declarações da líder do CDS, Assunção Cristas, numa entrevista na terça-feira ao "Público", onde referiu que nos Conselhos de Ministros em que participou como ministra nunca se discutiu com profundidade as questões do sistema financeiro e de que teria sido contactada pela então ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, para dar o aval "por email" à resolução do BES.

"Perante um rombo de 5 mil milhões de euros, a atual líder do CDS declarou que assinou de cruz a solução para o BES e fê-lo assim com uma insustentável leveza, porque estava em tempo de férias", aludiu Carlos Pereira.

"Ficamos a saber também que no Conselho de Ministros de então não se falava dos problemas da banca. Havia 12 mil milhões reservados [pela troika] para reestruturar o sistema financeiro português, mas Passos Coelho estava entretido com o aumento colossal de impostos, com as graves afrontas às instituições da República, nomeadamente o Tribunal Constitucional, na endiabrada e insolente obsessão de empobrecer o país, ou privando gente das prestações sociais que lhes mantinham mínimos de dignidade humana. Aliás, devia ser isso que falavam no Conselho de Ministros", admitiu o socialista.

Carlos Pereira lembrou ainda as declarações do presidente da comissão de auditoria do Banco de Portugal, João de Costa Pinto, que terá referido que "o Governo de Passos Coelho [...] foi muito fraco com o BES [...] podendo ter obrigado este banco a recorrer à linha de financiamento".

"Verificou-se na atitude do Governo PSD/CDS um posicionamento partidário perverso que está na base das complicações do sistema financeiro", concluiu o deputado.

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