Covid-19

Temido admite travão no desconfinamento

Temido admite travão no desconfinamento

O agravamento da situação epidemiológica da covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo pode levar a novas medidas de contenção da pandemia e a um eventual travão no processo de desconfinamento, admitiu a ministra da Saúde.

"Sempre dissemos que as linhas dos nossos mapas de referência são indicadores que nos levam a travar ou acelerar e a tomar medidas em função daquilo que é a situação. Sabemos que estamos com um risco efetivo de transmissão elevado (1,19) e com um número de novos casos por dia que é também elevado", afirmou, esta segunda-feira, Marta Temido aos jornalistas à saída da tomada de posse da nova direção da Associação Nacional de Farmácias.

Reconhecendo que a prevalência da variante Delta, inicialmente detetada na Índia, é já dominante na Área Metropolitana de Lisboa e que deverá estender-se brevemente ao resto do território nacional, a governante elencou três prioridades na resposta ao atual cenário.

"Continuar a acelerar a vacinação, garantir o acesso a testes e que esse acesso seja efetivamente utilizado pelas pessoas para saberem qual a sua situação e atuar em conformidade, e, depois, que algumas medidas de contenção do risco de transmissão sejam utilizadas. Tivemos uma delas neste fim de semana em vigor na Área Metropolitana de Lisboa e vamos continuar a acompanhar a situação e a avaliar o que é necessário fazer", observou.

Questionada sobre a rapidez de realização dos inquéritos epidemiológicos, que, segundo o último relatório de 'linhas vermelhas', já estará próximo do limite de 10% fixado para os casos confirmados de covid-19 notificados com atraso, Marta Temido enfatizou não haver nesta fase problemas de resposta a este nível.

"Os rastreios estão a ser realizados dentro dos tempos com os quais assumimos o compromisso de qualidade da resposta. Neste momento, o problema a que todos assistimos esperamos que não seja de capacidade de resposta, quer de inquéritos epidemiológicos, quer do sistema de saúde", indicou.

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130 mil vacinas por dia em julho

"O nosso objetivo é garantir que no mês de julho consigamos atingir mais de 130 mil vacinas administradas por dia. A 'task force' tem estado a trabalhar intensamente no sentido de maximizar todas as oportunidades de vacinação, em termos de disponibilidade de vacinas, de aproveitamento dos agendamentos e dos recursos afetos a este processo", disse ainda Marta Temido.

Perante a nova presidente da ANF para o mandato entre 2021 e 2023, Ema Paulino, a ministra reiterou que, apesar da disponibilidade de cooperação manifestada, a opção de vacinação contra a covid-19 nas farmácias continua a ser "uma possibilidade". Paralelamente, explicou as razões para o auto-agendamento não ficar imediatamente acessível aos utentes com mais de 35 anos, mas apenas para quem tem pelo menos 37 anos.

"Terá sido uma questão de gestão do próprio processo. Quando abre a vacinação para uma determinada faixa etária, automaticamente as pessoas acorrem e gera-se um fenómeno de espera. Se abrirmos em duas fases ao longo da mesma semana, conseguimos gerir melhor as respostas e estamos convencidos de que isso será uma melhor solução para aqueles que pretendem auto-agendar-se", salientou.

Por outro lado, a governante admitiu que a vacinação sem discriminação de faixas etárias tem sido um tema alvo de "bastantes discussões", face à maior incidência de novos casos nas últimas semanas entre os mais jovens (20-29 anos) que não estão ainda incluídos no processo, mas reiterou a prioridade dada à proteção de faixas etárias mais suscetíveis de recurso a cuidados de saúde.

"Neste momento, o nosso objetivo continua a ser vacinar o mais possível, mas privilegiar ainda as faixas etárias com maior risco. Quem mais se está a infetar é o grupo etário dos 20 aos 29 anos, mas quem mais está a precisar de cuidados hospitalares é o grupo entre os 40 e os 50 anos. Portanto, a lógica de se proteger aqueles que são mais vulneráveis, apesar de provavelmente outros terem um maior número de casos, mantém-se", notou.

Contudo, Marta Temido fez questão de sublinhar a expectativa de que a inclusão do grupo etário das pessoas com mais de 20 anos de idade ocorra "em meados de julho" e vincou que as equipas centrais estão a ser reforçadas no âmbito do plano de vacinação.

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