Covid-19

Terceira dose chega ao Hospital de São João: "é mais uma arma para travar o contágio"

Terceira dose chega ao Hospital de São João: "é mais uma arma para travar o contágio"

A dose de reforço contra a covid-19 começou a ser administrada, este sábado, aos profissionais de saúde do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto. Cerca de 4100 vão ser vacinados este fim de semana. Para a maioria, receber a terceira dose é um dever: protege-os e dá segurança aos doentes.

A imagem repete-se ao fim de menos de um ano. António Sarmento voltou a sentar-se numa cadeira para receber mais uma dose da vacina, perante o olhar das câmaras e dos responsáveis do CHUSJ. Depois de, a 27 de dezembro de 2020, ter sido o primeiro vacinado contra a SARS-CoV-2 em Portugal, este sábado de manhã tornou-se o primeiro na instituição a receber a terceira dose contra a covid-19. O momento simbólico é sobretudo um "motivo de satisfação" para o diretor do serviço de doenças infecciosas do São João, que assinala mais um passo para proteger "os mais vulneráveis", neste caso, os doentes do hospital.

"Quero deixar uma mensagem realista, transparente e de tranquilidade, vamos ter um futuro melhor, com certeza", afirmou aos jornalistas, após ser vacinado com mais uma dose da Pfizer. Em tempo de pandemia, quando as certezas são uma raridade e a exigência é muita para com a ciência, o médico assegura que a situação epidemiológica estará "controlada". "Os casos [de covid-19] não irão desaparecer totalmente, mas será uma vida perfeitamente vivível", defendeu.

PUB

Apesar da doença rodear grande parte do seu dia-a-dia, António Sarmento deixa um alerta para o que ainda aí vem noutros campos da sociedade: é preciso cuidar de quem sofreu economicamente com a pandemia, nomeadamente "todos aqueles que perderam o emprego" e que estão em risco de pobreza. Indiretamente, a vacina traz mais uma dose de confiança e um "futuro mais tranquilo".

O processo de vacinação no São João começou este sábado de manhã, às 8.30 horas, o que exigiu uma operação de logística na zona das consultas externas do hospital. A meta é vacinar 4100 profissionais de saúde este fim de semana, entre médicos, enfermeiros, assistentes operacionais, farmacêuticos e demais técnicos. Até às 10 horas deste sábado, "cerca de 500" já estavam vacinados com a dose de reforço, adiantou Filomena Cardoso, enfermeira diretora do CHUSJ.

A hora madrugadora da vacinação coincidiu com o fim de turno para dezenas de profissionais de saúde. É o caso de Inês Coles, de 31 anos, cujos olhos cansados denunciam o término de mais uma noite de trabalho. "[Ser vacinado] é um dever, porque estamos em contacto com imensos doentes", diz ao JN, a poucos minutos de receber a terceira dose. Para a anestesista, o reforço contra a covid-19 vem no "tempo certo" e "é mais uma arma para travar o contágio".

Os corredores do hospital estiveram, durante a manhã, repletos de funcionários que, com senhas na mão e hora marcada, esperaram pela vez para receber a dose de reforço. Assim será até às 20 horas e também durante o dia de domingo. Do lado de lá, num dos 21 postos de vacinação, algumas centenas vão encontrar Pedro Pinho, que se voluntariou para administrar a vacina da Pfizer aos colegas. "Tem um significado especial, porque estou a ajudar a instituição e a população hospitalar". O enfermeiro de 59 anos não tem data nem hora marcada para receber a terceira dose, mas prevê que aconteça ainda este sábado, até ao final da tarde.

O CHSUJ vai continuar a administrar o reforço aos profissionais no próximo fim de semana. Filomena Cardoso avança que falta "reagendar" pessoas que não estavam inseridas nos "primeiros critérios". "Há sempre algumas situações de dúvida", por motivos de doença ou gravidez, precisa a enfermeira diretora. Para essas, o serviço de saúde ocupacional do hospital está a acompanhá-las e a avaliar o risco, só depois é que se efetuará o agendamento da vacina.

Mais seguros do que no ano passado, e com 86% da população imunizada em Portugal, a terceira dose é encarada com naturalidade pelos profissionais ouvidos pelo JN. "Eu acho que a vacinação é essencial, quer a primeira, a segunda e a terceira, fazem parte de um pacote", refere Diana Oliveira, de 30 anos. A médica de Medicina Interna defende que, por esta altura, no ano passado, "estávamos muito piores". Sem registar grandes alterações no número de internamentos do hospital, Diana traça um cenário: "vamos ter de conviver com este vírus". Tal como o da gripe.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG