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Testes de saliva podem começar daqui a um ou dois meses

Testes de saliva podem começar daqui a um ou dois meses

Rui Portugal, subdiretor-geral da Saúde (DGS), afirmou que os testes de saliva contra a covid-19 poderão começar a ser utilizados "daqui a um ou dois meses". O responsável também revelou ter dúvidas sobre se a contratação de um número "impressionante" de rastreadores será a melhor solução para o país.

"A testagem tem de ser pensada em termos do que são as circunstâncias", afirmou Rui Portugal, ouvido numa comissão para o acompanhamento das medidas de resposta à pandemia, no Parlamento, esta quarta-feira.

O número dois de Graça Freitas recordou que os testes PCR têm evoluído ao longo do tempo e são diferentes dos testes rápidos que entretanto surgiram. Da mesma forma, também serão diferentes dos testes de saliva que, "muito provavelmente", poderão ser usados "daqui a um ou dois meses".

As estratégias e os recursos financeiros aplicados para cada tipo de teste são "completamente diferentes", frisou o subdiretor da DGS, vincando ainda que os profissionais que fazem os testes de saliva também poderão não ser os mesmos que, atualmente, efetuam as outras testagens.

"Investimento enorme" no rastreio pode não ser solução

Quanto à contratação de rastreadores, que tem sido identificada por Governo, partidos e responsáveis hospitalares como uma das principais necessidades, Rui Portugal admitiu que, antes da pandemia, a saúde pública do país estava "francamente debilitada".

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No entanto, o responsável defendeu que "ter rastreadores 'ad-hoc' não é uma boa ideia". Fazer um "investimento enorme" para contratar um número "absolutamente impressionante" de profissionais que identifiquem e quebrem cadeias de contágio pode não ser a melhor estratégia, insistiu - até porque, "se calhar, depois [da pandemia] deixamos de precisar" deles.

Na opinião de Rui Portugal, não devem existir "modelos rígidos" na saúde pública e no rastreio do vírus. A alternativa, argumentou, está numa abordagem "adaptativa" e que tenha em conta a realidade do país a cada momento.

Esta terça-feira, também no Parlamento, o presidente do Infarmed, Rui Ivo, revelou que está em cima da mesa uma norma que regule os testes de saliva. Em janeiro, a Universidade de Aveiro desenvolveu um teste deste novo tipo.

Aumentar testagem sim, mas não "à toa"

O subdiretor da DGS admitiu também o aumento do número de testes realizados. "Temos de abrir o país e a testagem pode ser uma boa forma. Mas não é uma testagem à toa, tem de ser bem pensada", afirmou. Caso contrário, poderá tornar-se "prejudicial".

Para Rui Portugal, uma testagem demasiado intensiva pode ter o efeito de "reter pessoas durante meses, eventualmente até por exagero". De modo a ilustrar que não há um modelo vencedor, o especialista deu o exemplo da Eslováquia: apesar de testar os cidadãos "a grande escala", esse país atravessa uma situação "muito crítica".

O responsável da DGS referiu ainda que a prioridade deve ser, sobretudo, "testar bem", sublinhando ainda a necessidade de se "reduzirem diferenças" a nível social durante a pandemia.

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