Covid-19

Testes rápidos a 9 de novembro, na F1 "houve coisas que correram menos bem"

Testes rápidos a 9 de novembro, na F1 "houve coisas que correram menos bem"

Os testes rápidos começam a ser utilizados a 9 de novembro, no âmbito da estratégia nacional de testagem ao novo coronavírus, anunciou a diretora-geral da Saúde. Quanto à aglomeração de público no Grande Prémio de F1 em Portimão, Graça Freitas reconhece que "houve coisas que correram menos bem".

A Estratégia Nacional de Testes para SARS-CoV-2, publicada esta segunda-feira, determina que em situações de surto em escolas, lares ou outras instituições devem ser utilizados preferencialmente testes rápidos no sentido de aplicar "rapidamente as medidas adequadas de saúde pública".

Em conferência de imprensa, Graça Freitas anunciou que a norma sobre os testes rápidos "tem efeitos a 9 de novembro de forma a que todos os intervenientes tenham tempo de se adaptar".

E explicou os contextos em que devem ser utilizados: em pessoas sintomáticas nos primeiros cinco dias de sintomas; pessoas sem sintomas mas num contexto de surto e no rastreio regular de profissionais de saúde.

"Uma pessoa fortemente suspeita que tenha um teste rápido com resultado negativo obriga a fazer teste PCR (com zaragatoa)", acrescentou a diretora-geral da Saúde, sublinhando que "a vantagem [dos testes rápidos] é a sua rapidez".

"A estratégia da Direção-Geral da Saúde é a mesma: testar, seguir, rastrear, isolar e, acrescento agora, humanizar", frisou Graça Freitas.

Questionada sobre o Grande Prémio de Fórmula 1 (GP F1), a diretora-geral da Saúde admitiu que "houve coisas que correram bem e coisas que correram menos bem", mas afirmou: "Não me parece que tenha sido catastrófico".

Graça Freitas começou por explicar os critérios que levaram as autoridades de saúde a autorizar a realização deste evento com público - 27500 pessoas numa estrutura com 100 mil lugares. Salientou que "o Algarve tem sido uma região pouco afetada pela covid-19 - no boletim desta segunda-feira apresenta 27 novos casos - uma região com menos incidência e com menor RT (risco de transmissibilidade)".

Foram ainda tidas em conta as condições de segurança da hotelaria da região e as condições do autódromo, além de que se tratou de "um evento de um fim de semana, que não se volta a repetir".

Quando ao autódromo, Graça Freitas salientou o "acesso fácil e com segurança às bancadas do público", terem sido "proibidas as zonas para peões" e o facto de as "bancadas terem regras, estarem divididas por setores, com número limitado de pessoas" e de se tratar de "um evento ao ar livre, o que é bom em termos de transmissibilidade".

A responsável da DGS lembrou ainda "experiências anteriores positivas: [tivemos] uma festa política (festa do Avante) que correu bem, uma manifestação religiosa (13 de outubro em Fátima) que correu bem e tivemos vários testes-piloto no futebol que correram de forma exemplar".

No GP F1 em Portimão, verificou-se que "nos dias dos treinos, duas bancadas não cumpriam as regras. E o que se fez no dia da prova? Transferiram-se as pessoas das bancadas mais problemáticas para outro setor".

"Em alguns setores respeitaram o que a DGS recomendou. Mas houve alguma discrepância entre as recomendações e a capacidade de organizar bem todas as bancadas e a capacidade de fiscalizar", apontou Graça Freitas.

"Visualizei já de muitos ângulos e de muitas formas a distribuição do público e na maior parte das bancadas o público estava com a distância necessária e usava máscara", acrescentou. "Se um banco tem um autocolante a dizer 'não se sente aqui' era bom que não se sentassem ali", apelou. "Há aqui uma corresponsabilidade que é nossa, que é de todos nós", reiterou.

"Lições para o futuro: ou temos de restringir muito os eventos ou ter menos gente", reconheceu a responsável da DGS, de forma "a ter mais controlo sobre os imponderáveis, das pessoas, sobretudo".

A taxa de testes de diagnóstico à covid-19 com resultado positivo é de 9,8%, revelou a diretora-geral da Saúde, considerando que se trata de um valor elevado.

Graça Freitas confirmou que o perfil dos doentes atuais em relação à chamada primeira vaga "é de facto diferente", existindo, neste momento, uma "grande percentagem de doentes que são adultos jovens".

É na faixa etária "a partir dos 20 anos e até 49 e 59 anos que se situam a maior parte dos casos", acrescentou, referindo que "há poucos casos em idades pediátrica precoce" e as crianças muito pequenas têm apresentado taxas de incidência muito baixas.

Considerando a última semana (19 a 25 de outubro), 4% dos casos tinha entre os 0 e os 9 anos e 9% tinha entre os 10 e os 19 anos.

Quanto aos internamentos, a maior parte são doentes nas faixas etárias a partir dos 60 anos.

Questionada sobre a morte no domingo de um jovem entre os 20 e os 29 anos com covid-19, Graça Freitas explicou que a vítima tinha morbilidade na origem e era uma pessoa doente.

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