Fátima

Tolentino de Mendonça: "É preciso que nos tornemos melhores"

Tolentino de Mendonça: "É preciso que nos tornemos melhores"

D. José Tolentino de Mendonça, bibliotecário e arquivista do Vaticano, afirmou, esta manhã, na homilia da missa evocativa da primeira aparição, que a experiência da pandemia e a crise global deve responsabilizar-nos ainda mais. "Não basta voltarmos a ser o que éramos antes: é preciso que nos tornemos melhores", afirmou o cardeal, que preside às cerimónias religiosas no Santuário de Fátima.

"Este é chamado a ser também um momento de revisão crítica do caminho que realizámos até aqui, de fazer uma espécie de balanço interior que avalie os nossos estilos de vida, os modelos de desenvolvimento de a natureza das opções que nos têm conduzido", aconselhou D. Tolentino de Mendonça.

Numa mensagem em que citou várias vezes o Papa Francisco, o cardeal disse que "estamos a tempo de transformar a crise em oportunidade e a calamidade em esperança" e referiu que a experiência da pandemia trouxe uma "consciência mais lúcida" da nossa fraqueza e das nossas maiores forças.

"O mundo fatigado por esta travessia pandémica que ainda dura, e que pede a cada um de nós vigilância e responsabilidade, não tem apenas fome e sede de normalidade: precisa de novas visões, de outras gramáticas, precisa que arrisquemos ter sonhos", sublinhou D. Tolentino de Mendonça. "Ousem sonhar um mundo melhor", desafiou, ao dirigir-se para os jovens.

Relançamento espiritual

"Numa hora de encruzilhada da história como esta que vivemos não podemos fazer coincidir o relançamento da esperança unicamente com o cuidado pela expressão material", alertou o teólogo. "Sem dúvida que é urgente garantir o pão e o nosso trabalho é exigente - fundamentalmente de reconstrução económica - deve unir e mobilizar as nossas sociedades. Mas as nossas sociedades precisam também de relançamento espiritual."

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Durante a sua intervenção, D. Tolentino de Mendonça recuou ao ano de 1917 para lembrar a mensagem de Fátima. "Os maiores momentos de crise foram superados infundindo uma alma nova, propondo caminhos de transformação interior e de reconstrução espiritual da nossa vida comum."

O cardeal citou o filósofo Max Scheller, que, no mesmo ano das aparições, falou na necessidade de reconstrução civilizacional da Europa e propôs "ferramentas muito semelhantes" às de Fátima. "Dizia ele que a reconstrução cultural da Europa só seria possível se as diversas nações assumissem, face à tragédia da guerra, a necessidade de "uma penitência comum, um arrependimento comum, um sacrifício comum", que favorecesse depois uma renovada capacidade de interajuda solidária e recíproca."

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