Setor social

Trabalhadores das misericórdias queixam-se de baixos salários e "palmadinhas nas costas"

Trabalhadores das misericórdias queixam-se de baixos salários e "palmadinhas nas costas"

Em greve nacional, cerca de duas centenas de pessoas reuniram-se esta sexta-feira, no Campo Pequeno, em Lisboa, para contestar os baixos salários dos trabalhadores das misericórdias, apesar do acréscimo de 11% dos apoios estatais para o setor, apontam. A concentração foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS).

A FNSTFPS afirma que se tem assistido a uma campanha pública de "palmadinhas nas costas" e acusa os patrões de fecharam os "cordões à bolsa, negando atualizações salariais e a valorização do trabalho", lê-se no comunicado enviado às redações. Apesar dos acordos de cooperação entre o Estado, a União das Misericórdias Portuguesas e as próprias instituições terem sido atualizados, "isso nunca teve qualquer impacto na componente salarial", disse Alma Rivera, deputada do PCP. O aumento de 11% do financiamento ao setor das misericórdias não resultou em "tradução nenhuma na valorização das condições de trabalho", diz.

Estado desresponsabiliza-se, diz dirigente

A "valorização salarial e a valorização do trabalho destes trabalhadores" são as principais revindicações que justificam a concentração, disse Elisabete Gonçalves, dirigente da FNSTFPS. "Desde 2015/2016 nem a União das Misericórdias, nem as misericórdias, fazem atualizações salariais a estes trabalhadores. No fundo, aquilo que lhes pagam é o salário mínimo nacional e acham que é excelente", afirmou. Há falta de respeito pelo trabalho e pelas competências destes trabalhadores, apontou.

"A política de baixos salários colocada em prática pelos sucessivos Governos e pelas Misericórdias, tem como resultado que mais de metade da tabela remuneratória nas Misericórdias tenha vindo progressivamente a ser absorvida pelo Salário Mínimo Nacional", lê-se no comunicado.

Elisabete Gonçalves acusa o Estado de se desresponsabilizar da sua "função social" ao enviar para as instituições verbas que "depois não são fiscalizadas e não se refletem no salário dos trabalhadores".

"Para as misericórdias há milhões, para os trabalhadores há tostões", ouvia-se, vindo da carrinha que liderava a concentração pelas ruas de Lisboa. Estes trabalhadores são muitas vezes aplaudidos nas alturas mais difíceis para o nosso país mas depois, do ponto de vista da valorização, têm salários muito baixos, disse Alma Rivera ao JN. A deputada comunista alertou ainda para os baixos salários de trabalhadores "com muitos anos de serviço, muita experiência" que não se destacam dos trabalhadores novos e com menos anos de casa. Os salários partem de "um patamar muito baixo, que é o patamar do salário mínimo. E estamos a falar de trabalho altamente desgastante, muitas vezes por turnos", acrescentou.

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