O Jogo ao Vivo

Protesto

Trabalhadores precários manifestam-se no Porto por mais 90 euros de salário

Trabalhadores precários manifestam-se no Porto por mais 90 euros de salário

Cerca de 30 trabalhadores em situação precária manifestaram-se esta sexta-feira junto à entrada do Centro Comercial Via Catarina, no Porto, com frases e músicas de luta, contra as atuais condições no trabalho, exigindo aumentos de 90 euros/mês no ordenado.

"Vi-te a trabalhar o dia inteiro, construir as cidades pr'ós outros, carregar pedras, desperdiçar muita força pra pouco dinheiro" eram os versos da música "Que força é essa", de Sérgio Godinho", que soavam esta manhã à entrada daquele centro comercial, na Baixa do Porto, e onde os trabalhadores se manifestavam com bandeiras, cartazes e faixas com frases como "Direito ao salário digno", "Aqui há precariedade", "Direito à família" ou "Encerramento do Comércio Domingos e Feriados".

Em declarações à Lusa, Sofia Vigário, uma das trabalhadoras manifestantes, afirmava que queria "o aumento de 90 euros no salário mensal" e que estava a lutar por um "horário que pudesse ser conciliável com a vida familiar".

"Vim pedir respeito do patronato pelos trabalhadores", rematou a trabalhadora, que se diz uma vítima de baixo salário, horário desregulado de segunda-feira a domingo.

Os regimes de folga, folgas separadas e ataque ao descanso aos domingos e feriados, com pressões diárias e "implicações negativas na conciliação da vida familiar e profissional" são outras das lutas elencadas pela Direção Regional do Porto, Vila Real e Bragança do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), entidade presente na manifestação.

"Hoje esta ação é para denunciar as práticas destas empresas neste shopping [Via Catarina] e noutros. As práticas são a contratação sucessiva de trabalhadores com vínculos precários à empresa para um trabalho permanente, quando tinham todas as condições para ter um trabalhador efetivo a fazer aquela função", declarou à Lusa Luís Figueiredo, operador de loja há 15 anos a receber "625 euros", e dirigente sindical na Direção Regional do CESP.

Segundo Luís Figueiredo, "mais de 50% dos trabalhadores de shopping" são atingidos "pelo flagelo" de ter "vínculos precários", principalmente os jovens.

"São principalmente trabalhadores que estão à procura do seu primeiro emprego ou então desempregados de longa duração que estão em estado de mais necessidade e que são abrangidos por estas questões", acrescentou o delegado sindical.

Durante a ação de luta, que decorreu no âmbito da Semana Contra a Precariedade, iniciativa da CGTP-IN que está a decorrer desde segunda-feira, os trabalhadores contaram com a presença do secretário-geral da intersindical, Arménio Carlos.

Em declarações aos jornalistas, Arménio Carlos acusou o patronato de estar "sistematicamente" a renovar os contratos, "subvertendo a lei e violando a lei".

"Todos nós sabemos que a esmagadora maioria dos empregos que aqui estão sediados são empregos que prestam serviço permanente. Era caso para dizer que deviam estar com vínculo de trabalho efetivo", acusou, referindo que nestas condições estão "muitas dezenas de milhares de trabalhadores em toda a zona de serviços do Porto".

A CGTP pediu ainda ao Governo para pôr em prática algo simples, que é o de que a "cada posto de trabalho efetivo deve corresponder um vínculo de trabalho efetivo".

"Se isto for feito, grande parte da precariedade está ultrapassada", concluiu Arménio Carlos.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG