Saúde

Transplante de órgãos sobe no primeiro semestre do ano 

Transplante de órgãos sobe no primeiro semestre do ano 

Até junho foram transplantados 369 órgãos, mais meia centena do que em igual período do ano passado. Esta terça-feira assinala-se o Dia Nacional da Doação de Órgãos e da Transplantação.

Os transplantes de órgãos subiram no primeiro semestre deste ano, depois de uma queda de 21% no ano passado devido à pandemia de covid-19. Nos primeiros seis meses de 2021 já foram transplantados 369 órgãos, mais 54 do que em igual período do ano passado. Houve 163 dadores de órgãos (falecidos e vivos), mais 22 do que no período homólogo de 2020. Os números do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) ajudam a assinalar, esta terça-feira, o Dia Nacional da Doação de Órgãos e da Transplantação.

Na cerimónia que assinalou a efeméride, Lacerda Sales, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, manifestou "profunda gratidão aos cidadãos e aos profissionais". Aos primeiros pela "generosidade e predisposição para a dádiva voluntária e gratuita". Aos segundos, "pelo envolvimento, esforço, dedicação e empenho na transplantação".

Lacerda Sales destacou que "nos últimos 20 anos assistimos a uma evolução positiva desta atividade, que impulsionou o número de dadores e de órgãos disponíveis para transplantação, colocando Portugal nos lugares cimeiros a nível mundial".

Em 2020, apesar da pandemia, foram realizados "650 transplantes", o que "deve ser encarado como uma grande vitória face a tempos tão incertos". No primeiro semestre deste ano, registou-se um "aumento de 16% do número de dadores e de 19% do número de transplantes realizados", destacou o Secretário de Estado.

Nos primeiros seis meses deste ano foram feitos 27 transplantes cardíacos (mais 12 do que em igual período de 2020), 201 renais (mais 33), 99 hepáticos (mais 10) e 24 pulmonares (mais cinco). Os transplantes pancreáticos baixaram relativamente ao período homólogo, com oito realizados no primeiro semestre deste ano (menos seis).

Foram colhidos 424 órgãos (mais 78), com uma taxa de utilização de 82% (349 transplantados).

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No ano passado, na "área da transplantação, embora tenha sido dada resposta atempada a todos os doentes em risco de vida, todas as situações urgentes, assistimos com preocupação à diminuição drástica da redução da atividade da doação e da transplantação, deixando muitas possibilidades de tratamento suspensas", lamentou Maria Antónia Escoval, presidente do IPST.

Aprendizagem e adaptação

"Procuramos minimizar o impacto nos doentes em lista de espera com sucessivos planos de contingência ajustados à realidade e apelando à colaboração entre instituições", acrescenta, referindo que, apesar de todos os nossos esforços e de algumas vitórias, como a realização do primeiro transplante renal cruzado internacional, no ano passado assistiu-se a "uma redução de 21%" face a 2019.

Apesar de, no ano passado, a "transferência das atenções para os doentes covid" ter tido "como natural consequência a diminuição de sinalização de potenciais dadores e do número de transplantes realizados", este ano já se assiste uma recuperação, realçou Susana Sampaio, presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação. Desde que a pandemia começou, explicou Susana Sampaio, assistiu-se a uma "aprendizagem e adaptação", que levou à criação de "novos procedimentos e circuitos" para manter a assistência aos doentes transplantados.

Na cerimónia, os agradecimentos estenderam-se aos profissionais de saúde e à Força Aérea, GNR e corporações de bombeiros.

Em comunicado, a GNR informou que desde o início deste ano realizou 135 transportes de órgãos, que implicaram o empenho de 271 militares, que percorreram cerca de 37 mil quilómetros. Em 2020 aquela força policial transportou 240 órgãos.

A guarda sublinha que o "sentimento recompensador de poder salvar uma vida humana no cumprimento deste tipo de missão, é dos sentimentos mais gratificantes que os militares da GNR podem sentir".

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