Autáquicas 2017

Transportes e pórticos em destaque no debate JN sobre a Maia

Transportes e pórticos em destaque no debate JN sobre a Maia

O tema dos transportes, mais as obras nas ruas, foi central, ontem, no debate organizado pelo JN e que juntou os candidatos à presidência da Câmara da Maia.

O encontro, ao qual não compareceu António Braz, do MPT, ficou marcado pelos ataques de Francisco Vieira de Carvalho (PS) à atuação de António Silva Tiago, que faz parte do atual Executivo, concorre pelo PSD/CDS-PP e contrapôs com o trabalho em curso e os planos para o futuro próximo. Os dois surgem nas posições cimeiras da sondagem JN/Católica, com vantagem para Silva Tiago, que recolhe 41% dos votos, contra 32% do seu mais direto perseguidor.

"O metro avançou em Gaia, no Porto e em Gondomar, e a Maia ficou para trás. Porquê? Porque não houve força. A Maia perdeu pulso. Comigo não haverá festas, nem festinhas. Os pórticos [das ex-scut] na zona central da Maia são para sair. Atualmente, as ruas estão um caos. São obrinhas feitas à pressão. Já falei com o ministro e fiz saber ao Governo que o Município necessitará de uma grande verba para as estradas", enfatizou Francisco Vieira de Carvalho.

Antes, António Silva Tiago tinha deixado a promessa que a Câmara vai melhorar a mobilidade. Mencionou a questão da STCP, que passará a ser gerida pelos municípios, entre os quais o maiato, com perspetivas de "mudanças para melhor". Também falou de ações concertadas com os "operadores privados", no sentido de oferecer "mais transporte às freguesias periféricas". Quanto às condições dos arruamentos, motivo de queixas da população, respondeu que há trabalhos em curso. "Os arruamentos estão em transformação e está a ser feito um esforço relativamente aos passeios. São apostas para continuar no próximo mandato", afirmou.

Estas palavras não convenceram Veira de Carvalho, que nunca deu tréguas ao candidato do PSD/CDS-PP. "[Silva Tiago] Está em desespero, vê isto como um emprego. Não sabe o que vai fazer no dia 1 de outubro", insistia, entre apelos à "calma" e acusações de "falta de respeito".

BE fala da poluição do ar

Ana Virgínia Pereira, da CDU, foi outra das vozes contestatárias. "O estado das ruas é preocupante. Tem havido requalificação, mas só à superfície. No inverno seguinte voltamos ao mesmo. Passamos a vida entre buracos", realçou.

"É necessário melhorar a mobilidade. Nem todos podem ir de carro para o trabalho. A escola do Castelo da Maia perde alunos porque não há transporte. Estas falhas tornam o concelho assimétrico. A Nacional 14 não tem alternativa. Foi feito um remendo, mas não é solução. A linha do metro, a ligar o centro da Maia ao Hospital de S. João, é necessária. Há muita coisa para fazer", adiantou, apontando casos concretos.

A Oposição contou também com as dúvidas e as queixas de Silvestre Pereira, do Bloco de Esquerda. "Os últimos 10 anos foram de estagnação e retrocesso. Vamos ver o que acontece com a STCP. A mobilidade é essencial. Da periferia para o centro é necessário transporte de proximidade e amigo do ambiente. A Maia liberta um milhão de toneladas de dióxido de carbono por ano. É o dobro do Porto", alertou.

Na mesma linha colocou-se Clara Lemos, ao enumerar aspetos que, na ótica do PAN, devem ser revistos. "As freguesias estão desniveladas. Faltam transportes para o centro, para o acesso à cultura e ao desporto. Está em causa a sustentabilidade e a melhoria da qualidade de vida", observou, aludindo, ainda, à "ausência de transporte noturno, uma dificuldade para os jovens estudantes que, após as aulas, praticam desporto e saem das instalações de noite".

Apenas com 1% na sondagem JN/Católica, mas garantindo que vai a eleições para "ganhar", Fontes Maia, do PPV/CDC.PPM, optou por uma visão mais genérica, salientando a vontade de mudança: "A Câmara tem sido gerida pelas mesmas pessoas há muito tempo. Essa permanência cria vícios que importa contrariar".

temas quentes:

Habitação

De um lado a Câmara, com Silva Tiago, do lado oposto os restantes candidatos, num dos pontos quentes da discórdia: a política para a habitação. Silva Tiago argumentou ter herdado um "parque urbano envelhecido", a carecer de um processo de requalificação "já com fim à vista". A este trabalho juntou um "projeto de 15 milhões de euros". Quanto ao futuro, e por "haver casas disponíveis", considerou que "a solução passa pelo arrendamento, numa parceria com o Estado". Francisco Vieira de Carvalho visou a Autarquia e a promessa de que acabaria as obras nos bairros este ano, o que, até ao momento, não sucedeu. "O que vi ontem é um desastre. A Câmara andou a colocar andaimes. Isso é estar a gozar. As pessoas vivem em casas da Câmara, mas o município enquanto proprietário não cumpre a sua parte", acusou. A CDU, por Virgínia Pereira, quantificou entre "600 a 700 as pessoas à espera de uma casa da Câmara", ao passo que Silvestre Pereira, do BE, pôs o foco nos problemas dos bairros do Sobreiro, "por serem os mais graves", e lembrou a falência do projeto "Parque Maior".

Emprego

Silva Tiago classificou a Maia como um concelho "exportador" e disse que o futuro passa por "incrementar" essa vocação. No debate, anunciou a "mudança de uma empresa de Vila do Conde para o Tecmaia", que criará "400 postos de trabalho, sobretudo quadros qualificados". Após Silva Tiago ter colocado a Maia entre as autarquias com menor taxa de desemprego, a comunista Virgínia Pereira referiu que "entre 2000 e 2017 o desemprego cresceu 50%". Baixar a derrama às empresas foi uma solução apontada pela candidata pela CDU para gerar emprego, uma ideia partilhada pelo bloquista Silvestre Pereira, também assinalando a necessidade de criar "infantários", bem como "estruturas de apoio a idosos".

Ciclovias

Se Fontes Maia arrumou a questão das ciclovias, ao dizer que nada irá fazer, já Silva Tiago e Vieira de Carvalho apresentaram propostas. O candidato do PS falou num investimento de "15 milhões de euros" para reforçar as pistas para as bicicletas. Também Vieira de Carvalho disse ter estudado o assunto, ao patrocinar um "fórum que reuniu vários técnicos", daqui resultando a promessa, caso seja eleito presidente, que a Maia terá "a maior obra do país" neste domínio. Atendendo à oferta atual, o BE considerou que "os percursos deviam ser estendidos". Para Clara Lemos (PAN) é censurável que os planos da Câmara estejam "só direcionados para o centro".

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