Mobilidade

Transportes parados deixam alunos sem meios para ir à escola

Transportes parados deixam alunos sem meios para ir à escola

Diretores alertam para falta de autocarros e contam com a intervenção das câmaras para garantir deslocações. ANTROP pede ao Governo que dê aval ao pagamento integral do serviço de transporte escolar.

Há centenas de alunos do 11.º e do 12.º anos que não terão transporte para regressar às escolas na próxima segunda-feira. A abrupta redução da procura levou muitas operadoras a suspender toda a atividade e outras mantêm serviços mínimos, deixando vastas regiões suburbanas e do interior do país sem uma resposta capaz para os estudantes. Mesmo em grandes centros urbanos como a Área Metropolitana do Porto, há zonas, como Gondomar, Póvoa de Varzim e Vila do Conde, sem ligações ou com uma oferta muito abaixo das necessidades.

O problema coloca-se, sobretudo, no Norte e no Centro, onde vários diretores de escolas secundárias ainda não têm garantia de que haverá transportes para levar os estudantes. Essa incerteza é relatada por Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares. "Há empresas que quase não têm autocarros na rua. As câmaras estão a negociar com os operadores para retomar o transporte escolar, mas, em alguns casos, está a ser difícil", alerta, admitindo que as autarquias tenham de criar "circuitos especiais", com meios próprios ou a contratação de carrinhas e táxis.

Também Filinto Lima, da Associação dos Diretores das Escolas Públicas, apela às câmaras para que garantam transporte escolar, pelo menos quatro vezes ao dia, evitando que os alunos tenham de passar todo o dia nas escolas.

Serviço deixou de ser pago

A solução está nas mãos do Governo, garante a Associação Nacional de Transportes Rodoviários de Passageiros (ANTROP), que se reúne esta quarta-feira com o secretário de Estado da Mobilidade, Eduardo Pinheiro. O presidente Luís Cabaço Martins dá conta de que as empresas estarão em condições de colocar os autocarros necessários na rua, se for paga a totalidade da verba de transporte escolar, orçamentada para este ano letivo. O dinheiro está nas mãos das autoridades de transporte (entidades intermunicipais e municípios), mas falta o aval do Governo para ser utilizado.

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Com o fecho das escolas a 16 de março, esse serviço deixou de ser pago. Agora, não bastará comparticipar apenas a deslocação dos alunos do 11.º e do 12.º anos. Não seria suficiente para dotar os operadores de capacidade financeira para retomar a atividade na segunda-feira. Neste contexto atípico da pandemia com enormes quebras de procura, a distribuição das verbas terá de ser feita como se fosse um ano letivo normal, recorrendo ao histórico de 2019. "De outra forma, não haverá transporte público", adverte Luís Cabaço Martins, certo de que, após a reunião de hoje, serão "dadas indicações claras do Governo para o uso das verbas de transporte escolar", tal como sucedeu com o Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART).

No caso do PART, o Governo deu orientações para que os operadores sejam pagos de acordo com o número de passes vendidos em 2019. É o que sucede nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa. O apoio - que será concedido pelo menos entre abril e junho - permite a sobrevivência das empresas e a manutenção do serviço.

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