À distância de um ecrã

Treinos por videochamada e em direto no Facebook combatem sedentarismo no isolamento

Treinos por videochamada e em direto no Facebook combatem sedentarismo no isolamento

São tempos de isolamento social com a pandemia do novo coronavírus. Mas, nem por isso, os ginásios portugueses deixam que os clientes fiquem parados em casa. Alguns readaptaram-se e iniciaram caminho nas redes sociais, outros (com soluções virtuais antes do surto) registaram um aumento na procura.

15 de março de 2020, 11 horas. Carlos Dias inicia mais uma aula no ginásio em Freamunde. Desta vez, um treino de pernas com duração de cerca de 20 minutos. À frente dele, não está ninguém, apenas uma câmara que lhe permite chegar aos alunos através de um direto no Facebook. É assim desde quinta-feira, 12 de março, quando Portugal tinha confirmado 78 casos positivos de infeção por Covid-19. Este sábado, chegamos a 1280 doentes.

"Consideramos que seria melhor encerrar o nosso espaço, mas manter a ligação com os nossos alunos à distância", explica Carlos Dias, proprietário do ginásio CFit, em Freamunde. Fecharam temporariamente as portas na última sexta-feira, 13 de março, já com o país em estado de alerta e com poucos alunos a recorrer ao exercício físico no ginásio. Tiveram de engendrar uma solução: os treinos nas redes sociais.

Carlos Dias e a mulher decidiram readaptar a oferta através de vídeos em direto no Facebook e algumas dicas de exercícios. O retorno verdadeiro desta iniciativa só poderá ser conhecido quando reabrirem as portas, uma altura em que esperam angariar novos clientes. "Estamos a tentar outras opções, porque não sabemos o que vai acontecer. Isto obrigou-nos a mudar, mas poderá ser uma janela de oportunidades ", diz o responsável do ginásio ao JN.

Até lá, vão dando aulas de zumba e de pilates, onde equilibram exercícios de força, flexibilidade, resistência e velocidade, e onde não ultrapassam os treinos de 30 minutos de duração. "Percebemos que as aulas mais curtas são mais eficazes. Queremos que as pessoas não olhem para o relógio".

Mesmo no conforto de casa, os treinos em vídeo com hora marcada podem revelar-se um apoio para quem precisa da iniciativa de um professor e não tem vontade de treinar sozinho. "Marcamos um horário para as pessoas se organizarem. Quero que esqueçam um pouco a realidade e se divirtam", afirma Carlos Dias.

O ginásio CFit está agora dependente do tempo: sem contratos de fidelização e débitos diretos para pagamento das mensalidades, mostram-se preocupados com efeitos da pandemia na empresa.

Treinos por videochamada em tempo de pandemia

Quando a empresa Treino em Casa foi criada em 2010, os responsáveis estavam longe de imaginar que a doença do novo coronavírus iria ajudá-los a aumentar a procura de um dos seus serviços. "Estamos a intensificar o número de aulas pela situação que estamos a viver", esclarece Pedro Moreira, responsável pela empresa na área do Porto.

As aulas em crescimento são as feitas por videochamada, que podem ser realizadas em grupo ou individualmente. Desde o início desta semana que têm dois novos horários fixos, um de manhã e outro à tarde. Quem quiser aulas individuais através do telemóvel só tem de combinar com a empresa. "Quando temos uma aula de grupo, não conseguimos corrigir tão facilmente a pessoa, analisar caso a caso e a olhar para o ecrã", esclarece.

O objetivo passa por ajudar os clientes "a manter o treino regular", uma vez que desde a semana passada, a própria empresa suspendeu temporariamente um dos serviços, onde realizava treinos presenciais no domicílio dos clientes. "Nos últimos tempos, evitamos contacto pela nossa segurança e pela dos outros. Podíamos contactar com 30 a 40 pessoas diferentes por dia", adianta Pedro Moreira.

Um pouco por todo o país, vários ginásios, atletas e pessoas anónimas têm demonstrado através das redes sociais como o isolamento pode ser um sinal de vida ativa, mesmo dentro de quatro paredes. Porém, a maioria dos estabelecimentos mostra reservas e preocupações face à própria sustentabilidade do setor em tempo de pandemia. Muitos suspenderam preventivamente a atividade, sem clara noção de quando será seguro reabrir as portas.

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