Covid-19

Três mortes no primeiro dia dos testes nos lares

Três mortes no primeiro dia dos testes nos lares

Quatro distritos começaram a ser rastreados e o Governo quer todo o país na próxima semana. Faleceram utentes de Matosinhos e Albergaria.

Os testes de despistagem à Covid-19 em lares da terceira idade começaram na segunda-feira a ser efetuados em quatro distritos (Lisboa, Aveiro, Évora e Guarda), no dia em que pelo menos mais três utentes faleceram, segundo apurou o JN. Dois eram do lar do Centro Social de Leça do Balio, Matosinhos, e um do Geriabranca, Albergaria. Juntam-se às 116 vítimas mortais da pandemia com mais de 70 anos já contabilizadas.

O início dos testes nos lares foi confirmado pela diretora-geral da Saúde, Graça Feitas, mas o objetivo, adiantou o primeiro-ministro, é que "na próxima semana seja possível cobrir o país", mobilizando a capacidade instalada nas universidades e politécnicos, adiantou António Costa.

Graça Freitas disse que os lares que estão integrados em zonas de maior risco de propagação serão "alvo preferencial" da intervenção do Ministério da Saúde para a realização de testes. E questionada sobre o Porto, a região mais afetada, não estar incluído nesta primeira fase, explicou que os trabalhadores dos lares serão "todos progressivamente testados, porque se identificar alguém positivo e assintomático é logo isolado do circuito".

Vítimas em Leça do Balio

Enquanto isso, o luto nos lares vai crescendo no país. Na segunda-feira, duas idosas do lar do Centro Social de Leça do Balio, Matosinhos, hospitalizadas devido a infeção por Covid-19 faleceram no hospital de Póvoa de Varzim. A confirmação foi feita ao JN pelo presidente da instituição, Francisco Araújo.

As duas mulheres, ambas com mais de 80 anos, encontravam-se num estado de saúde débil. Em meados do mês foram hospitalizadas em Matosinhos e, anteontem, transferidas para Póvoa de Varzim, onde vieram a falecer. Os outros 33 idosos do centro começaram a ser testados. Já foram realizados cinco testes aos "mais frágeis" e a instituição aguarda os resultados. Francisco Araújo considere premente que "todos sejam testados".

Também na segunda-feira, morreu um dos idosos infetados com Covid-19 que foram transferidos no domingo do lar Geriabranca, em Albergaria, para o Hospital Militar do Porto. O homem, com 92 anos, estava fragilizado por diversas doenças, nomeadamente diabetes e insuficiência renal, apurou o JN.

Esta é a terceira morte entre utentes daquele lar. Na segunda-feira faleceu uma mulher de 89 anos e, na sexta-feira, um homem de 93 anos. Há, ainda, 16 utentes infetados que estão hospitalizados no Porto e três em Aveiro.

No lar, que foi sujeito a uma ação de descontaminação, permanecem cinco utentes e três funcionárias que testaram negativo. Há um outro idoso que testou negativo que está com familiares.

A diretora técnica, Lurdes Reis, que estava nas instalações desde o dia 23 e acusou positivo ao novo coronavírus, saiu ontem para não contaminar a área desinfetada e dirigiu-se a casa, onde ficará em isolamento.

A desinfestação foi efetuada por militares do núcleo de matérias perigosas da GNR, que vaporizaram as instalações com uma solução de "hipoclorito de sódio, uma lixívia com maior teor de concentração do que aquele que é comercializado ao público", explicou o capitão Jorge Marques.

No lar da Santa Casa da Misericórdia de Ovar, onde já faleceu um utente, os testes confirmaram a existência de 17 pessoas infetadas.

Já começou no Porto

O rastreio à Covid-19 feito a todos os idosos e funcionários de lares da cidade do Porto arrancou no domingo, estando, numa primeira fase, a Pousada da Juventude preparada para receber uma centena de utentes, revelou a Câmara.

Mais em Santo Tirso

O número de infetados com a Covid-19 no lar Dra. Leonor Beleza, em Santo Tirso, subiu para 20, sendo nove utentes e 11 colaboradores, após serem conhecidos os testes feitos na sexta-feira.

Três câmaras juntas

As câmaras de Penafiel, Paredes e Castelo de Paiva vão fazer análises, nos próximos dias, para deteção de Covid-19 a 2000 idosos que frequentam os lares daqueles concelhos. M.F.

C. Branco tranquilo

A União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Castelo Branco está "relativamente tranquila" e garantiu que fez "o trabalho de casa" e que ainda não há nenhum caso de infeção.

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