Mobilidade

Trotinetes, mupis e buracos: as armadilhas que os deficientes enfrentam

Trotinetes, mupis e buracos: as armadilhas que os deficientes enfrentam

Um buraco na calçada fez com que uma peça da cadeira de rodas de Susana Pinto se partisse, esta manhã, durante a marcha de sensibilização para a falta de acessibilidade para pessoas com deficiência na cidade de Lisboa, no contexto do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

"É o que se chama um acidente de percurso", disse, ao deparar-se com o ocorrido, enquanto recebia ajuda de elementos da Fundação Liga, uma das três associações que organizou um trajeto em Lisboa para alertar para as dificuldades que as pessoas com deficiência enfrentam todos os dias nas suas deslocações. Os passeios com buracos são apenas um dos muitos problemas que a funcionária do departamento de direitos sociais da Câmara Municipal de Lisboa vive no dia-a-dia.

Um grupo de pessoas com deficiência - três deslocando-se em cadeiras de rodas e dois invisuais com o auxílio de bengalas - participaram esta quinta-feira de manhã na marcha que partiu dos Restauradores e terminou no Terreiro do Paço, com vista a assinalar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência que se assinala a 3 de dezembro. Um percurso com vários obstáculos e que pretendeu mostrar as armadilhas que as cidades têm para estas pessoas.

Contra um mupi

Uma das pessoas invisuais bateu de frente num mupi de vidro colocado no meio da rua Augusta, uma via pedonal. A falta de base fez com que o homem não o conseguisse identificar. As trotinetes deixadas no meio dos passeios são outro dos fatores que põem em risco a segurança das pessoas com incapacidade visual e de mobilidade.

Felizmina Gomes, de 57 anos, apontou algumas dificuldades que lhe vão "condicionando a liberdade". Vive a sua vida numa cadeira de rodas há 5 anos, depois de ter sido atropelada por um autocarro. "As acessibilidades até então passavam-me ao lado", revelou, lamentando que muitas lojas não tenham rampa de acesso. A ida a restaurantes também exige "todo um planeamento". "Preciso de telefonar para saber se há circulação e casa de banho adaptada", contou.

Salvador Almeida, de 39 anos, fundador da Associação Salvador, uma das três que organizou a iniciativa, alertou para a importância de haver acessibilidades para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. "Estou há 20 anos numa cadeira de rodas e as mudanças que sinto são a conta gotas".

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Os vereadores da Câmara Municipal de Lisboa, Laurinda Alves, Ângelo Pereira e Joana Almeida marcaram presença na marcha. "Ao fazer caminho com pessoas que não veem e têm limitações de mobilidade, tomamos consciência dos seus obstáculos", afirmou Laurinda Alves vereadora na área de Direitos Humanos Sociais e de Cidadania.

Idosos e carrinhos de bebé

Além das pessoas com deficiência, "Lisboa também não é uma cidade fácil, quer seja para idosos ou para quem leve carrinhos de bebé". Uma das soluções são as "campanhas de sensibilização" como as que tem feito a Associação Salvador. Só uma loja na rua Augusta tem uma rampa de acessibilidade que foi conseguida pela associação, refere.

O executivo municipal anunciou que pretende criar duas freguesias modelo, onde vai desenvolver a acessibilidade, uma numa zona plana e outra numa zona inclinada e acidentada.

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