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UGT suspeita que há "cartelização" na banca para despedimentos "inéditos"

UGT suspeita que há "cartelização" na banca para despedimentos "inéditos"

A banca vive hoje um clima "de chantagem e medo" e vêm aí milhares de despedimentos no setor. É o que diz a central sindical, que apela à intervenção do Governo. Está tudo numa carta enviada a António Costa, que contém também criticas aos seus ministros.

A UGT manifestou esta quinta-feira, numa carta entregue ao primeiro-ministro, a suspeita de que os grandes bancos estão organizados em forma de cartel para procederam a despedimentos massivos.

"A situação na banca é tão dramática que a UGT e os seus sindicatos do setor (Mais Sindicato, SBN e SBC) se atrevem a suspeitar que existe cartelização entre os grandes bancos para uma redução histórica e inédita de postos de trabalho à custa da pandemia e dos seus efeitos", alertou a central sindical na carta de oito páginas entregue a António Costa.

Justificando a suspeita, a central sindical pergunta mesmo: "Como é possível que, em nome de um eventual fator concorrencial, todos os bancos tenham decidido, em simultâneo, extinguir milhares de postos de trabalho?".

"Clima de chantagem e medo"

Antes da entrega da carta a Costa, e da subsequente concentração de protesto junto à residência do primeiro-ministro, a UGT realizou a reunião mensal do secretariado nacional e aprovou uma moção em defesa dos trabalhadores bancários. Aí, reivindica a intervenção do Governo para que acabe com "o clima de chantagem e medo que se vive na banca".

Grandes bancos portugueses preveem cortar milhares de postos de trabalho, sendo BCP e Santander Totta os que têm processos mais 'agressivos'.

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O Santander Totta tem um plano de reestruturação que prevê a saída de mais 685 pessoas através de reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo (sem acesso a subsídio de desemprego), depois de centenas já terem saído desde setembro de 2020. A comissão de trabalhadores estima que as saídas ascendam a 1400 funcionários entre setembro de 2020 e o mesmo mês deste ano.

Já o BCP quer que saiam 1.000 empregados através de reformas antecipadas ou rescisões por mútuo acordo (sem acesso a subsídio de desemprego).

Criticas a vários ministros

Na carta a Costa, a central sindical expõe "um conjunto de preocupações, que afetam centenas de milhares de trabalhadores", no contexto da pandemia da covid-19, contexto esse "aproveitado por muitos para promover a desregulação laboral, impondo restruturações agressivas e intoleráveis pela pressão e assédio".

Lembrando "a disponibilidade de sempre da UGT e dos seus sindicatos para o diálogo social", a central criticou alguns membros do Governo por "não compreenderem as virtudes da negociação coletiva", e "o desígnio do tripartismo", nomeadamente os ministros da Educação, da Saúde, da Justiça e da Administração Pública.

"O exemplo vem sempre de quem está no topo da governação do Estado. E o setor privado copia sempre o que de pior o Estado exemplifica", diz o documento.

Indemnizações: voltar ao tempo antes da troika

A carta salienta "a destruição de milhares de postos de trabalho", em empresas como a TAP, a Altice e na banca, "situações a que urge pôr cobro". E fala ainda do bloqueio da negociação coletiva e da secundarização da concertação social.

E defende que sejam retomados os valores das indemnizações por despedimento que vigoravam antes da intervenção da troika e a imposição ao setor privado de limites nos despedimentos e rescisões.

A carta da UGT, aprovada por unanimidade em secretariado nacional, termina com a central a disponibilizar-se para "transmitir de viva voz as preocupações que grassam na sociedade portuguesa e que carecem de uma resposta social e política urgente".

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