Conferência JN

Um país desigual à espera da regionalização

Um país desigual à espera da regionalização

As estatísticas regionais são claras: a desigualdade regional é um facto, com o país quase sempre inclinado para o Litoral e, sobretudo para a região de Lisboa. Culpa do excessivo centralismo do Estado português? Questões para debater na conferência do Jorna de Notícias e da Câmara do Porto sobre os caminhos da descentralização.

O centralismo do Estado português não costuma ser objeto de disputa. Basta observar algumas das estatísticas regionais (ver infografia) para esclarecer qualquer dúvida sobre a desigualdade do país: desde o fosso nos rendimentos (mais 400 euros por mês em Lisboa do que a Norte), às pensões de velhice (mais 200 euros por mês em Lisboa do que no Centro), passando pelo número de diplomados do Ensino Superior (fuga evidente em direção à capital), ou pelo índice de envelhecimento (só a região de Lisboa atrai os mais novos).

São poucos os índices em que Lisboa não é a melhor colocada, quando comparada com as outras quatro regiões-plano. Mas há um em que está claramente pior na fotografia: na taxa de cobertura das importações pelas exportações, fica-se nos 46%, enquanto o Norte - tão mal colocado quando o que está em causa é o rendimento, envelhecimento ou pobreza - tem 131%, ou seja, demonstra clara vocação produtiva e exportadora, face à vocação consumidora e importadora da capital.

Desequilíbrios que ajudarão a explicar a mais recente sondagem conhecida sobre a Regionalização, efetuada pela Pitagórica para o JN, e publicada em setembro passado: a maioria dos portugueses inclina-se para a regionalização (uma vantagem de 12 pontos percentuais), e é assim em todas as regiões, com uma notável exceção: entre os habitantes de Lisboa ganharia o "não" às regiões.