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Um quinto das escolas com média negativa

Um quinto das escolas com média negativa

Diretores temem perda de cumplicidade com alunos por causa da pandemia.

Um quinto das escolas (120 estabelecimentos) teve média negativa nos exames do Secundário. Um resultado ligeiramente pior que em 2018, quando 98 escolas (15,5%) tiveram média abaixo de 9,5 valores. De resto, os rankings primam pela estabilidade: as privadas dominam a tabela feita com base nas provas, as públicas a dos Percursos Diretos de Sucesso (PDS).

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Apesar da estabilidade, este é um suplemento atípico. Quase sem a participação de alunos nas reportagens devido à pandemia. Diretores de públicas ou privadas fazem um balanço positivo do ensino à distância, mas nenhum quer recomeçar as aulas, em setembro, neste regime.

"Queremos os alunos de volta. Fazem-nos falta", frisa a presidente da Comissão Administrativa Provisória da Secundária da Escalada (Pampilhosa da Serra) onde no ano passado nenhum aluno do 12.o chumbou.

Dos colégios com as melhores médias aos agrupamentos que se destacaram pela melhoria das notas dos seus alunos (PDS) há uma estratégia comum: a cumplicidade entre docentes e alunos, que o ensino à distância ameaça. "Estraga toda a familiaridade. O sucesso vai diminuir", teme José Costa Lemos, diretor da Secundária Arga e Lima.

O ministro da Educação avisou que o próximo ano pode conciliar regime presencial e à distância. O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares alerta que repensar-se o modelo de ensino é inadiável. "A escola vai ter de se modernizar, mas é fundamental o cumprimento do plano digital", diz Manuel Pereira.

Serviço público

Os ranking têm algum impacto na organização das escolas? O presidente do Conselho das Escolas classifica a divulgação de "serviço público". "Têm impacto positivo nas escolas porque as faz refletir sobre o trabalho que realizam. Mas também tiveram outra consequência muito positiva, pois promoveram e de que maneira a transparência da administração educativa, incentivaram, ou melhor, impeliram o Ministério da Educação a divulgar dados que, até então, apenas poucos conheciam", defende José Eduardo Lemos.

Já para Ariana Cosme, professora da Universidade do Porto e consultora do ME para o programa de flexibilidade curricular, os rankings apenas servem "para vender a imagem de algumas escolas".

OBJETIVOS DIFERENTES

O facto de a tabela feita com base nos exames ser dominada por colégios e a dos PDS por agrupamentos, não surpreende. José Eduardo Lemos considera que essa tendência reflete que públicas e privadas "trabalham para objetivos ligeiramente diferentes".

As escolas públicas "centram muito dos seus recursos e esforços no acompanhamento e na promoção do sucesso escolar dos alunos com mais dificuldades". Para Ariana Cosme é um sinal "inspirador". "É a esperança que a escola possa cumprir o seu papel de elevador social", frisa.

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