Estudo

Um quinto dos jovens de 13 anos já bebeu álcool

Um quinto dos jovens de 13 anos já bebeu álcool

Aos 13 anos, 21% dos jovens já bebeu álcool, 8% já fumou e 2,4% consumiu droga. No global, os consumos de substâncias nocivas de tem baixado ligeiramente, mas continuam em patamares preocupantes. Jogos eletrónicos, redes sociais e jogo a dinheiro são preponderantes.

O Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco, Droga e outros Comportamentos Aditivos e Dependências, feito pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) a cada quatro anos, mostra como as dependências começam cedo. Aos 13 anos de idade, 4,2% dos jovens tiveram um consumo "binge" (cinco ou mais bebidas alcoólicas na mesma ocasião), quase 8% já fumaram e 2,4% experimentaram alguma droga.

Os consumos vão subindo à medida que crescem. Aos 17 anos, 31% já tiveram um consumo "binge", 41% fumaram e 19,5% drogaram-se. Os consumos de álcool, tabaco e drogas têm baixado ao longo dos anos, mas o inquérito feito em 2019 pelo SICAD a mais de 26 mil jovens mostra que a descida tem sido lenta. Pelo contrário, adições às apostas online e à Internet aumentam: 12,9% dos jovens jogaram a dinheiro no ano anterior ao inquérito e muitos passaram mais do que quatro horas num dia de aulas em jogos eletrónicos (11%) ou nas redes sociais (32%).

O facto de os consumos pouco diminuírem preocupa João Goulão, diretor do SICAD. "Os dados estão parados a níveis preocupantes. Há muito a fazer em prol da saúde física e mental" dos portugueses, disse, na apresentação das conclusões do inquérito. O subdiretor, Manuel Cardoso, encontra nesta evolução sinais de que, no futuro, haverá mais jogadores patológicos, não diminuirão as mortes por "overdose" e as doenças transmissíveis e haverá menos esperança de vida com saúde. No ano anterior ao do inquérito, nota, um em cada dez jovens consumiu três substâncias nocivas: álcool, tabaco e drogas.

Entre as dependências tradicionais, o consumo de álcool é o mais prevalente - apesar de a sua venda ser proibida a menores de 18 anos. Do universo de alunos dos 13 aos 18 anos, 68% já ingeriram bebidas alcoólicas alguma vez na vida e 38% fizeram-no no mês anterior ao inquérito, o que indicia um consumo recorrente. A facilidade com que encontram bebidas alcoólicas ajuda explicar os números: 63% dizem ter fácil acesso a cerveja, 60% a "alcopops" (bebidas alcoólicas com sabores, feitas especialmente para o mercado jovem) e 56% a vinho.

A fiscalização à venda de bebidas alcoólicas a menores de idade é uma das medidas pedidas pelo SICAD. "Deve haver um esforço preventivo, das áreas da Saúde e da Educação, mas também há desafios às entidades fiscalizadoras", diz João Goulão. A venda de álcool a menores de 18 anos foi proibida em 2015. Além disso, acrescenta Manuel Cardoso, os dois últimos Orçamentos do Estado mantiveram o valor do imposto sobre bebidas alcoólicas. Se tivesse aumentado, a subida do preço desincentivaria a sua compra, sobretudo pelos jovens que têm menor poder de compra.

Menos cigarros tradicionais, mais eletrónicos

A venda de tabaco é proibida a menores de 18 anos, mas, no mês anterior ao inquérito, 13,4% dos jovens fumaram cigarros tradicionais, 4,7% fumaram cigarros eletrónicos e 1,9% tabaco aquecido. Uma das notícias positivas do inquérito é a forte queda do consumo de cigarros tradicionais, mas boa parte dessa descida é anulada pelo aumento do consumo de cigarros alternativos.

Dos jovens inquiridos, aos 13 anos 15% já tinham fumado cigarros tradicionais e 7% cigarros eletrónicos; quase metade não tem qualquer dificuldade em comprar tabaco.

Apesar disso, o número de jovens que fumou cigarros tradicionais no mês anterior ao inquérito desceu de 18,8% em 2015 para 13,5% em 2019. Também a descer está o consumo recorrente de drogas (de 7,2% para 5,8%), incluindo de canábis - algo que surpreendeu o SICAD, já que nos últimos anos foi muito discutida a legalização do consumo para efeitos medicinais e recreativos. Já o consumo de álcool pouco mudou (passou de 39,8% para 38,4%).

Ainda em matéria de drogas, mas agora legais, o inquérito apurou que cresceu o consumo de tranquilizantes comprados com receita médica: de 12,3% para 16,7%.

Quatro horas na Internet em dia de aulas

Entre os comportamentos aditivos, os que mais aumentam entre os jovens são feitos na Internet. No ano anterior ao inquérito, 12,9% dos jovens tinha jogado a dinheiro, sobretudo em apostas desportivas em sites como o Placard; eram 8,5% antes de o Placard começar a funcionar. Este é um comportamento sobretudo masculino, mas está a subir também entre as raparigas.

A adição aos ecrãs fica patente nestes dados: no mês anterior ao inquérito, 72% dos jovens tinha jogado online (não a dinheiro) e muitos passaram mais de quatro horas em frente ao ecrã - 29% num dia sem escola e 11% num dia de aulas.

Os números são ainda mais altos nas redes sociais: 96% usaram-nas na semana anterior ao inquérito mais de metade (55%) passaram lá mais de quatro horas ao sábado ou domingo; num dia de aulas, quase um terço passa quatro horas nas redes sociais.

O Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco, Droga e outros Comportamentos Aditivos e Dependências foi feito em 2019, a mais de 26 mil jovens de escolas públicas de Portugal.

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