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Comissão Europeia

Um terço das embalagens de alimentos engana o consumidor

Um terço das embalagens de alimentos engana o consumidor

Há embalagens de apresentação semelhante que possuem no interior produtos de composição diferente consoante o país europeu. Um terço da amostra estudada apresentava a incoerência. A conclusão faz parte de um estudo divulgado pela Comissão Europeia.

Da análise de 1400 produtos presentes em 19 países da União Europeia, realizada pelo departamento científico e de conhecimento da Comissão, o Centro Comum de Investigação, conclui que 9% dos produtos com embalagem idêntica possuía composição diferente.

E 22% dos que apresentava um rótulo parecido, semelhante, revelava igualmente composição diferente. Ou seja, mais de 30% dos bens apresentava informação que não correspondia ao conteúdo. Esta é a primeira fase do estudo que pretende ir mais longe na deteção de práticas proibidas ao abrigo da legislação comunitária em matéria de defesa do consumidor.

O problema parece transversal e é detetado em vários países. A avaliação não revelou um padrão geográfico persistente, indica o comunicado.

"Alguns europeus sentem que os géneros alimentícios rotulados que adquirem são diferentes, talvez piores, em comparação com os disponíveis noutros locais. A Comissão pediu ajuda aos nossos cientistas para que avaliassem objetivamente a dimensão destas diferenças no mercado único", declarou Tibor Navracsis, comissário da Educação, Cultura, Juventude e Desporto.

O comissário ficou satisfeito por não ter sido encontrado um fosso entre os produtos de leste e do oeste da Europa, mas, por outro, mostra-se preocupado com a constatação de que um terço dos produtos testados possui composições diferentes, emitindo uma mensagem falsa ou incorreta, apesar de apresentados de igual forma. Tibor Navracsis é húngaro.

Vera Jouvorá, comissária responsável pela pasta da justiça, dos consumidores, comentou que existem já instrumentos necessários para pôr termo a este tipo de prática.

Na maioria dos casos, refira-se, porém, as embalagens indicavam corretamente o que possuíam no interior: 23% dos produtos com apresentação idêntica na frente da embalagem tinham também composição idêntica e 27% produtos de composição diferente também tinham embalagens equivalentes.

O presidente da Comissão, Jean-Claude Junker, abordou esta questão no discurso sobre a diferença de qualidade dos produtos já em 2017. Recentemente, o "Novo Acordo para os Consumidores" procurou clarificar o que pode ser considerado uma prática enganosa e foram emitidas uma série de orientações. Destinou-se ainda a este problema um orçamento de 4,5 milhões de euros.