Saúde

Urgência de cirurgia pediátrica do Porto "sobrecarregada" com fecho em Braga

Urgência de cirurgia pediátrica do Porto "sobrecarregada" com fecho em Braga

A Urgência Metropolitana de Cirurgia Pediátrica do Porto vai ficar "sobrecarregada" com o encerramento noturno do serviço no Hospital de Braga, trazendo implicações "em termos de disponibilidade do bloco operatório". O alerta foi deixado, esta sexta-feira, pelos diretores do serviço nos centros hospitalares de S. João e do Porto que lamentam não ter sido informados do encerramento da urgência em Braga e exigem planeamento. A Administração Regional de Saúde do Norte convocou uma reunião para esta tarde com os centros hospitalares de Gaia, Porto, São João e Braga.

Em causa está o encerramento noturno, a partir desta sexta-feira, do serviço de Urgência de cirurgia pediátrica no Hospital de Braga. Rúben Rocha, diretor da Urgência Pediátrica do S. João, vê com "preocupação o encerramento" do serviço no Hospital de Braga e teme um possivel "entupimento". Esta quarta-feira à noite, o Porto já recebeu um doente de Guimarães com 12 anos.

"Devíamos ter sido informados da quantidade e qualidade de doentes que vão passar a chegar cá e vão sobrecarregar o nosso sistema. São doentes que muitas vezes não têm diagnóstico imediato, o que leva a que sejam internados e submetidos a cirurgia. Uma urgência metropolitana de fim de linha, que recebe todo o tipo de doentes da zona Norte, vê-se agora sobrecarregada", lamentou o médico, revelando que o serviço teve conhecimento do fecho em Braga pela comunicação social.

"[Braga] é um distrito que nos dava assistência nos doentes cirúrgicos no período noturno e, com esta situação, estes doentes passarão a ser orientados para esta urgência metropolitana do Porto. Esta situação deveria ter sido prevista", criticou.

Segundo Rúben Rocha, esta "sobrecarga" terá impacto na "disponibilidade do bloco operatório" e "nos tempos para dar resposta a uma cirurgia urgente". A situação complica-se ainda mais com o aproximar do período de férias dos profissionais de saúde e com o aumento de doentes admitidos no serviço. "Há poucas semanas", a Urgência Metropolitana de Cirurgia Pediátrica do Porto passou por "picos de atendimentos". Houve dias com mais de 300 crianças a chegar ao serviço.

"Estamos numa situação de carência em termos de profissionais para assegurar os nossos próprios doentes e temos situações de colegas que, já fora do seu período de disponibilidade para um trabalho noturno, generosamente, continuam a assegurar este serviço. Vemo-nos sobrecarregados com estes doentes e sem um plano prévio. Pode haver um risco de entupimento", alertou Rúben Rocha.

Caldas Afonso, diretor do Centro Materno-Infantil do Norte [que integra o Centro Hospitalar do Porto], revelou que foram pedidos esclarecimentos à Administração Regional de Saúde do Norte. "A Urgência de cirurgia pediátrica do Porto funciona com os recursos humanos de três hospitais [Gaia, S. João e Santo António]. Seguramente, seremos sempre parte da solução e não do problema, mas preocupa-nos porque a zona do Hospital de Braga é uma zona imensa com muita população jovem", afirmou Caldas Afonso, frisando que "o número de recursos humanos em Braga não mudou". Já o Porto, está "numa situação de alguma fragilidade".

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"No outro lado, [em Braga], não houve uma alteração em termos de recursos humanos. Há um número significativo de colegas jovens que podem fazer noites e que se mostraram indisponíveis para o fazer", disse Caldas Afonso, acrescentando que no Centro Hospitalar Universitário do Porto as escalas têm sido asseguradas graças "à motivação e ao sentido de serviço público" de "colegas que legalmente pela idade podiam deixar de fazer, mas aceitam entrar na escala".

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