Porto

Urgências do S. João registam maior pico de afluência desde 2008

Urgências do S. João registam maior pico de afluência desde 2008

Foi "um dia triste" que já não se repetia desde 2008. O Hospital de S. João, no Porto, registou, na segunda-feira, a maior procura "de sempre" pelo serviço de Urgência. No total, houve 1022 admissões. É preciso recuar 14 anos para encontrar um dia semelhante e, mesmo assim, com uma procura inferior (1003 atendimentos num dia).

De acordo com Nelson Pereira, diretor do serviço de Urgência do S. João, a elevada procura resulta de "uma mescla de razões", que incluem a "disfunção crónica da rede de Urgência que justifica um número de episódios excessivo" e o "aumento desmesurado" de doentes com queixas respiratórias e suspeitas de covid-19, numa altura em que o número de testes positivos voltou a aumentar, mas os casos graves são menores. No hospital do Porto, esta segunda-feira, estiveram 144 doentes na área covid, dos quais 53 testaram positivo. A taxa de positividade foi de 37%. No domingo, tinha sido de 46%.

"Só nos piores picos da pandemia é que tivemos este nível de positividade. Estes fatores, em conjunto, trouxeram este dia triste com um recorde que gostaríamos que nunca tivesse acontecido", referiu ao JN Nelson Pereira, detalhando que "a população covid é maioritariamente jovem, como quase sempre acontece".

O responsável admite ainda que o serviço tem recebido alguns estudantes com suspeitas de covid-19 que participaram na Queima das Fitas do Porto, mas "não é o único fator" a pesar no aumento de casos na Urgência. Nelson Pereira ressalva ainda que a gravidade da doença, neste momento, "não tem paralelo com momentos anteriores".

"Estamos a internar 1 a 2% dos doentes positivos. É uma percentagem bastante pequena", frisou.

O responsável pelo serviço lamenta que a redução das regras de proteção e combate da pandemia não tenha sido acompanhada pela simplificação do processo de acompanhamento dos doentes.

"Se, por um lado, achamos que esta doença já não tem repercussão significativa sobre os cuidados de saúde e, portanto, já não justifica medidas de saúde pública como a utilização da máscara ou a limitação de presença nos espaços, então, ao mesmo tempo, não faz sentido que se continue a exigir testes [confirmatórios] às pessoas, não se dê alternativas para fazer os testes e que todas as ações das várias entidades acabem por conduzir as pessoas para os serviços de Urgência", afirmou Nelson Pereira.

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Segundo o responsável da Urgência , "o SNS24 está a enviar muitos doentes que não têm indicação para observação nos serviços de urgência" e "os cuidados de saúde primários têm uma grande dificuldade em observar doentes agudos no próprio dia". "Acabam por vir ao serviço de Urgência porque continuam a ser pressionados a ter um teste confirmatório [de covid-19]. Continuamos numa lógica de pandemia, quando de alguma forma já aceitamos que a pandemia já não é relevante porque já não precisamos de usar máscara e de outro tipo de medidas. Esta dessintonia está a provocar uma disfunção séria nos serviços de Urgência", explicou.

Tal como o JN noticiou no final de março, os hospitais defendem a regulação do acesso às urgências, fechando a porta a doentes que chegam ao serviço pelo próprio pé e sem referenciação do centro de saúde, da linha SNS24 ou do INEM. Recentemente, foi anunciado o fim das taxas moderadores em todas as consultas e exames do Serviço Nacional de Saúde. A exceção recai sobre as idas ao serviço de Urgência sem referenciação.

Para Nelson Pereira, do ponto de vista teórico, a medida "é positiva" e vai ao encontro das reivindicações dos hospitais. No entanto, acredita que não vai ter "um impacto significativo" na regulação do acesso ao serviço. "Não acho que se deva desmerecer esta medida. Porque é que eu acho que não vai ter impacto significativo? Porque, neste momento, as taxas moderadoras existem e as pessoas vêm em excesso", justificou.

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