Covid-19

É "cedo" para ver influência do desconfinamento nos novos casos

É "cedo" para ver influência do desconfinamento nos novos casos

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou, esta sexta-feira, em conferência de imprensa, que "talvez seja cedo" para concluir que o aumento do número de casos se deve ao levantamento de medidas de restrição.

Nas últimas 24 horas, houve mais nove vítimas mortais por covid-19 em Portugal. O total de mortes desde o início da pandemia sobe para 1114.

A taxa global de letalidade é de 4,1 % e, acima dos 70 anos, é de 15%, informou o secretário de Estado, durante a habitual conferência de imprensa diária. Dos 842 casos de internamento hospitalar, 127 estão nos cuidados intensivos, menos oito casos do que na quinta-feira. Registam-se ainda 2422 casos de recuperados, mais 164 casos, o que corresponde a 8,9 por cento dos casos confirmados.

"A epidemia não acabou. Desconfinar não é abrandar. Nunca é demais dizer isto. Regressar aos fluxos das nossas vidas não pode e não deve pôr em causa o caminho que foi feito até aqui, com grande sacrifício pessoal de todos os portugueses. Nunca é demais dizer isto e lembrar que o nosso sucesso depende de todos e de cada um e da nossa capacidade de respeitar o outro e as regras que se aplicam a todos", firmou Lacerda Sales, acrescentando que "já foram realizados mais de meio milhão de testes de diagnóstico à covid-19 em Portugal". "Em abril, houve uma média de 11.500 testes por dia e entre os dias 1 e 6 de maio a média foi de 11.400".

O secretário de Estado lembrou ainda que foi publicada esta sexta-feira "uma orientação técnica para migrantes, refugiados e para os profissionais que exercem funções de atendimento e apoio a esta franja da população que está numa situação de deslocação e vulnerabilidade, e muitas vezes a viver em locais coletivos". Esta orientação tem como objetivo garantir que "ninguém fica sem acesso ao Serviço Nacional de Saúde ou a outros direitos de assistência na saúde".

"Todos estamos a aprender todos os dias"

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Questionado sobre o manuseamento e uso de máscaras pelos deputados no Parlamento, o secretário de Estado afirmou que essas "são decisões internas e não comentamos decisões de órgãos de soberania". "Todos estamos a aprender todos os dias. Eu também tenho de ajudar colegas e amigos na boa utilização de máscaras. Esta aprendizagem estende-se a todos, sem excluir ninguém", sublinhou.

Relativamente à orientação publicada pela DGS sobre os restaurantes, a diretora-geral de Saúde disse que se trata de uma "orientação de boas práticas", como a recomendação de só se sentarem à mesma mesa quem coabita em casa. "Responsabiliza-nos a todos, utentes e donos dos restaurantes. As normas são para ser observadas por todas as pessoas e temos de ter confiança na auto-responsabilização dos portugueses. Não pode haver relaxamento, porque quando isso acontece surgem novos focos de infeção", alertou Graça Freitas, acrescentando que as normas se dirigem a todos e apelando à responsabilidade dos cidadãos.

"A doença não desapareceu, o vírus está em circulação e apenas uma percentagem mínima da população foi atingida pela doença e terá imunidade. Estamos susceptíveis e em risco", lembrou.

É "cedo" para ver resultados do desconfinamento

"Talvez seja cedo", respondeu Graça Freitas sobre um possível reflexo do desconfinamento no aumento do número de casos. "Com desconfinamento ou não, temos de ter precaução". Sobre a vacina da gripe, foi previsto um incremento do número de doses para Portugal. "Estamos a trabalhar em duas linhas, não só no combate à covid-19", disse a diretora-geral da Saúde.

Sobre os dados de afluência aos hospitais, Lacerda Sales disse que "ainda é cedo para fazer um levantamento e poder dar dados concretos", mas a perceção é que "a retoma está a decorrer a um bom ritmo, que salvaguarda as medidas de segurança".

Sobre o crescimento de casos na região de Lisboa e Vale do Tejo, Graça Freitas lembrou que esta zona "está a testar muita gente" e, portanto, "é normal que se encontrem casos positivos", muitos dos quais "assintomáticos". "Outro fator é o surto na Azambuja, com 104 trabalhadores identificados com teste positivo. Temos de contar com estas dinâmicas, com efeitos de rastreio e de focos em empresas", explicou.

"Não sabemos o número de pessoas testadas"

Quanto às pessoas testadas, o secretário de Estado disse que não se sabe esse número. "Sabemos o número de testes, mas não sabemos o número de pessoas testadas. Até porque muitas das pessoas fizeram mais do que um teste, nomeadamente os infetados, para perceber se posteriormente davam negativo. Não é ainda possível saber o número exato de pessoas testadas", esclareceu Lacerda Sales.

Relativamente aos casos ativos, Graça Freitas anunciou que em beve vão ser divulgados "todos os casos recuperados em ambulatório (em casa), porque a nova plataforma Trace Covid vai permitir aperfeiçoar esses números, completando a informação hospitalar". "Vamos dar os números atualizados devido à plataforma, é uma notícia boa", terminou a diretora-geral da Saúde.

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