Porto

Vacina contra a covid-19 é sinónimo de esperança

Vacina contra a covid-19 é sinónimo de esperança

Esperança. A vacina contra a covid-19 bem poderia ter este epíteto mágico, como se fosse transformar-se em sinónimo. E não seria exagero: "esperança" era, na manhã deste domingo, a palavra mais pronunciada no Hospital de Santo António, no Porto, que arrancara com o plano de vacinação contra o novo coronavírus logo a seguir ao S. João.

E nem seria preciso dizê-la, porque cada olhar, entre os profissionais de saúde - 600 vacinados durante o dia de hoje; 1800 até terça-feira, à velocidade de uma injeção por minuto -, carregava essa fé. Na Ciência, num primeiro passo para derrotar a pandemia, numa luz ao fundo do túnel que, como anseia a ministra da Saúde, Marta Temido, ajude a virar a página e a converter a crise sanitária em pretérito.

"Fui das primeiras, com a graça de Deus. E só temos a agradecer o facto de termos sido os primeiros a levar a vacina. Espero que isto represente o princípio do fim de um mal que estamos a viver", rogava a enfermeira Carina Vieira, que soma 17 anos nos Cuidados Intensivos do Santo António e descreve "tempos muito difíceis, sobretudo para os doentes" dessa unidade, eleita pelo Centro Hospitalar do Porto como prioridade máxima na administração da vacina, que chegou ao hospital envolta em fortes medidas de segurança. Como um tesouro sem preço.

"O início do fim" da pandemia

O médico intensivista Aníbal Marinho, que dirige o Serviço de Cuidados Intensivos do hospital, conhece-lhe bem o valor, e garante que "é uma esperança nova". "Tive o privilégio de ser o primeiro a ser vacinado, e acho que toda a gente deve tomar a vacina, e o mais rapidamente possível. Quanto mais rapidamente se conseguir vacinar a população, melhor", defende o profissional, que revela uma "preocupação acrescida" com a nova estirpe do vírus, identificada no Reino Unido, e antevê que a pandemia "vá piorar" nos próximos meses.

PUB

Desde junho passado nos Cuidados Intensivos, o jovem médico Ricardo Marinho também antecipa que "janeiro vai ser pesado, provavelmente com uma terceira vaga", mas espera que a vacina possa travar uma quarta onda. "Acho que este é o início do fim desta pandemia. Mas um fim prolongado e lento", vaticina o intensivista, que ansiava pela vacinação. "Nós, médicos, temos de dar o exemplo e mostrar à população que a vacina é segura. Temos de combater a desinformação que tem havido", defende.

"Como a vacina da gripe"

Aliás, também o diretor dos Cuidados Intensivos, Aníbal Marinho, diria, sem hesitar, se tivesse de deixar uma mensagem a todos os cidadãos: "Tomem a vacina rapidamente e não arranjem pretextos para não tomar, porque não faz sentido nenhum".

"Não tive nenhum receio da vacina. Fui vacinado cerca das 11 horas e esperei meia hora na tenda, com um enfermeiro e material de emergência, caso houvesse alguma reação. Mas está toda a gente bem-disposta", garantia Ricardo Marinho. "Não custou. É uma picada normal, como se fosse a vacina da gripe", descrevia a enfermeira Helena Bessa, vacinada pelo meio-dia tal como José Reisinho, assistente operacional que trabalha "todos os dias com doentes covid" e quer proteger a família.

98% dos profissionais querem vacina

"Estarmos a vacinar é histórico. Diria que é o segundo acontecimento do ano a seguir à pandemia", comparava José Barros, diretor clínico do Centro Hospitalar do Porto, que, com um universo de 4800 profissionais, vai administrar a vacina, nesta primeira fase, a 1800. "São 600 em cada dia, até terça-feira. Um por minuto", assegurou o responsável, adiantando que "98% do total" de profissionais aceitaram a vacinação. "Em 2500 inquiridos, tivemos 16 recusas, das quais seis foram por convicção, por não acreditarem ou acharem que é cedo de mais, e 10 por razões médicas".

"A vacinação não é um ato de proteção individual; é, fundamentalmente, um processo de proteção coletiva", sublinhou José Barros, referindo que a prioridade na administração da vacina são os profissionais dos Cuidados Intensivos, das unidades covid e dos serviços de urgência, que "estão em contacto direto com os doentes". A Administração e as direções clínicas "ficam para o fim". Porque, afinal, "o capitão é o último a abandonar o navio", lembra o diretor clínico.

"Alegria genuína"

A ministra da Saúde, que a meio da manhã visitou a área de vacinação - sete postos instalados em salas na zona do auditório do Hospital de Santo António - vincou que este é "um momento de esperança e daquilo que se espera que seja o começar a virar de uma página", "bem visível no rosto de muitos profissionais de saúde". "É uma jornada pela qual aguardávamos com grande expectativa", lembrou Marta Temido, que repetidas vezes recorreu à palavra "esperança" para caracterizar a etapa que hoje se iniciou e que considerou estar "a correr com grande tranquilidade e expectativa, com alegria genuína". A governante alertou, contudo, que é imperativo continuar a "ter todas as cautelas de utilização de máscara e de respeito pelas demais medidas enquanto este processo decorrer".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG