Pandemia

Vacina da Moderna pode receber luz verde amanhã. Em que ponto estão as outras?

Vacina da Moderna pode receber luz verde amanhã. Em que ponto estão as outras?

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) pode aprovar esta quarta-feira a entrada no mercado da União Europeia da vacina desenvolvida pela farmacêutica Moderna. Será a segunda no espaço europeu quando já se ouvem críticas à falta de doses em alguns países.

A EMA ainda convocou para segunda-feira uma reunião extraordinária do Comité de Medicamentos para o Uso Humano para avaliar a vacina da Moderna, já administrada nos Estados Unidos, mas os peritos pediram mais tempo para analisar os dados clínicos. Quarta-feira, haverá nova reunião. A confirmar-se a aprovação será atribuída uma licença condicional ao uso do fármaco no território europeu, sendo que Bruxelas contratualizou com a Moderna 160 milhões de doses. No dia 9, sábado, a EMA promoverá um encontro público sobre a avaliação de outras vacinas.

A primeira vacina contra a covid-19 a ser aprovada em espaço europeu foi a da Pfizer/ BioNTech que em poucos dias começou a ser aplicada nos 27 estados membros desde 27 de dezembro. Desde 1 de dezembro, recorde-se, a EMA avalia outras duas vacinas contratualizadas pela União Europeia: a Astrazeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford e que já está a ser aplicada no Reino Unido, e a da farmacêutica Janssen, filial da norte-americana Johnson & Johnson, que se encontra na última fase dos ensaios clínicos. A Astrazeneca ainda não pediu autorização à EMA, mas a agência europeia avisou, na semana passada, após a sua aprovação pelo Reino Unido, que precisa de mais informações para permitir a sua entrada no mercado europeu. Seriam mais 400 milhões de doses.

Em Portugal já foram vacinados mais de 30 mil pessoas. Ontem, arrancou o plano de vacinação em 150 lares localizados em distritos com risco mais elevado. Alemanha e Itália são os dois países da UE onde mais se vacinou - 265 mil e 129 mil pessoas, respetivamente. No entanto, na Alemanha há críticas por ainda só ter sido aprovada uma única vacina e em Itália há zonas do país onde a falta de médicos e de seringas está a atrasar o plano de vacinação. Em França ainda só foram vacinadas 432 pessoas e o presidente Emmanuel Macron já prometeu, no discurso de ano novo, que não haverá mais atrasos.

Entre as sete contratualizadas por Bruxelas, três estão neste momento na última fase de ensaios clínicos - além da vacina da Johnson (a única que só prevê uma dose e foram adquiridas 400 milhões de doses) também estão na fase 3 as da Curevac (400 milhões de doses encomendadas) e da Novavax (100 milhões de doses comprados com possibilidade de aquisição de outros 100 milhões). A mais atrasada é a dos grupos Sanofi (francês) e GSK (inglês) que só deve entrar na fase 3 a partir de abril, já que os primeiros resultados revelaram pouca eficácia entre os mais velhos.

Eficácia e armazenamento

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A vacina da Moderna revelou uma eficácia de 94,5%, também utiliza a mesma tecnologia inovadora da vacina da Pfizer - o mRNA, que permite a produção de proteínas ou "antígenos" específicos de coronavírus enviadas para o sistema imunológico que então produzirá anticorpos - mas pode ser conservada a -20ºC o que facilita o armazenamento comparativamente à da Pfizer, que tem de ser superior a -60ºC.

Já a da Astrazeneca, que é outra vacina que já está a ser administrada, é ainda mais fácil de armazenar: pode ser guardada por, pelo menos, seis meses em condições normais de refrigeração, ou seja, com temperaturas entre os 2 e os 8 graus Celsius. No caso da vacina da Oxford, é feita uma manipulação genética ao adenovírus, o vírus da gripe dos chimpanzés, juntando depois o gene da proteína "S" do Sars-Cov-2, que vai desencadear na pessoa a quem é administrada a vacina uma resposta imunológica.

Todas as vacinas contratualizadas pela UE, à exceção da da Johnson, preveem a imunização em duas doses.

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