Acontecimento nacional 2021

Vacinação em massa: processo mudou de rumo e tornou-se num exemplo mundial

Vacinação em massa: processo mudou de rumo e tornou-se num exemplo mundial

Portugal foi o primeiro país do Mundo a chegar aos 85% de vacinados. Em dez meses, a confiança dos portugueses na task force, municípios ou profissionais de saúde inverteu um começo cheio de polémicas e demissões.

Em dez meses, de janeiro a outubro, Portugal passou de uma taxa de vacinação pouco acima dos 0% para os 85% e tornou-se o primeiro país do Mundo a atingir a fasquia. Quase 8,7 milhões de portugueses foram vacinados contra a covid-19, motivo pelo qual a vacinação em massa é o facto nacional do ano de 2021 para os jornalistas do "Jornal de Notícias".

Há um ano, a 30 de dezembro de 2020, noticiava-se o arranque da vacinação nos lares de idosos de 25 concelhos considerados à época "de risco extremo". Hoje, esse tempo parece longínquo e as vacinas contra a covid-19 chegaram a todas as casas que as quiseram. Foram poucos os que não se vacinaram, se compararmos com o resto do Mundo, e o processo que começou torto tornou-se num exemplo a nível mundial.

Do início atribulado

As primeiras doses da vacina foram administradas a 27 de dezembro de 2020, com Francisco Ramos à frente da task force para o plano de vacinação em Portugal.

Os primeiros dois meses do processo foram marcados por constantes denúncias de casos de vacinação indevida e atropelos às prioridades definidas. Foram iniciados mais de 200 inquéritos-crime e um deles, relativo ao Hospital da Cruz Vermelha, que também era presidido por Francisco Ramos, levou à demissão do coordenador da task force.

Oito meses depois, o inquérito foi arquivado, mas o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo já tinha sucedido a Francisco Ramos em fevereiro. A partir de outubro, também Gouveia e Melo sairia, rendido pelo coronel Carlos Penha Gonçalves.

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ao esforço coletivo

Dos três coordenadores, o vice-almirante é o mais reconhecido, pois deixou a missão com 85% dos portugueses vacinados. Pelo meio, houve um esforço coletivo, de várias entidades e pessoas, a começar por quem se quis vacinar.

No leque de imprescindíveis figuram todos os profissionais de Saúde, com destaque para os enfermeiros, que administraram a maioria das vacinas. A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, salienta que "sem enfermeiros não havia vacinação", pois desenvolvem desde 1965 "um trabalho de transmissão de confiança nas vacinas".

A bastonária lembra que, ao longo do ano, "os enfermeiros vacinaram porta a porta, nas escolas e nas coletividades". Fizeram ainda "trabalho que agora se tornou visível" quando, nos centros de saúde, procuraram e convocaram quem ainda faltava.

municípios decisivos

Os enfermeiros estiveram em maioria nos centros de vacinação, as estruturas montadas pelas câmaras municipais que começaram a nascer em todos os concelhos. Em pavilhões ou em tendas, estas estruturas foram financiadas pelos municípios, o que faz deles outro elo imprescindível.

Luísa Salgueiro, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), recorda que "logo que o processo de vacinação foi desencadeado, os municípios estiveram na linha da frente, instalando centros de vacinação, apetrechando-os, contratando funcionários, enfim, fazendo tudo o que está ao seu alcance para vacinar o maior número possível de pessoas, assim contribuindo para a taxa de sucesso da vacinação em Portugal".

A presidente assegura que o empenho dos municípios ´é "total no combate a este flagelo", uma vez que a vacinação "continua a ser fundamental" e as autarquias permanecem "envolvidas no apoio a esta missão", até porque "a pandemia está longe de terminar".

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