Indústria

Vacinas contra a covid não são o Eldorado das farmacêuticas

Vacinas contra a covid não são o Eldorado das farmacêuticas

As vacinas da Pfizer, Moderna, AstraZeneca e da Janssen têm pouco impacto na cotação em bolsa, dizem os analistas. Nos medicamentos inovadores, a história é outra.

O impacto das vacinas contra a covid nas quatro farmacêuticas com autorização da Agência Europeia do Medicamento (EMA) em termos bolsistas é reduzido, apesar dos lucros obtidos com a venda massiva de doses, dizem a maioria dos analistas contactados pelo JN/Dinheiro Vivo.

Os fármacos inovadores de combate a doenças crónicas, como o cancro, desenvolvidos pela Pfizer, Moderna, AstraZeneca e pela Janssen, empresa da Johnson & Johnson, têm mais impacto no título bolsista das empresas.

De acordo com os analistas, o peso de desenvolver uma vacina contra a covid-19 foi mais transformador para a Moderna do que para as restantes farmacêuticas. Já as suspensões da vacina da AstraZeneca, desde a semana passada em alguns países da Europa, não trouxeram uma volatilidade considerável aos títulos da empresa anglo-sueca.

Filipe Garcia, economista da IMF, explica que, "tirando a Moderna, que se dedica àquela tecnologia em particular, que tem uma concentração grande de negócio, as outras [farmacêuticas] não estão a ser particularmente beneficiadas do ponto de vista de cotação com tudo isto - porque há a perceção de que não é propriamente para ganhar dinheiro [com as vacinas]".

Doenças crónicas

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Paulo Rosa, economista e senior trader do Banco Carregosa, sublinha que, apesar da importância para a população, "o negócio das vacinas não é assim tão importante como o resto do negócio" para estas empresa. O economista explica que a medicação associada a doenças crónicas, que implica maior regularidade na toma, "é o que está na base da indústria farmacêutica".

"Não é por aqui que a indústria irá ter o seu Eldorado. "Isto nota-se na própria cotação, que segue o seu caminho de acordo com algo como o medicamento X que foi aprovado para o Alzheimer ou medicamento Y foi rejeitado para o Parkinson", exemplifica. "O negócio das vacinas pesa à volta de 2,5% da indústria farmacêutica".

Moderna valoriza

Entre as quatro farmacêuticas, a Moderna foi aquela que sofreu maior transformação. Com uma capitalização de 56,6 mil milhões de dólares, Filipe Garcia explica que isso está ligado ao próprio negócio da empresa.

"A tecnologia que a Moderna usa [na vacina], o mRNA, os medicamentos à base dessa tecnologia eram, até agora, tidos como experimentais e agora toda a gente está a usar". A título de comparação, a capitalização da Pfizer rondava os 200 mil milhões de dólares, da Johnson & Johnson 422,5 mil milhões de dólares e a da AstraZeneca cerca de 140 mil milhões.

Já quanto à AstraZeneca - que esta semana viu a vacina ser suspensa em vários países europeus -, Paulo Rosa explica que "não se vê impacto na cotação" e até recuperou nos últimos dias de uma tendência de queda iniciada em julho do ano passado.

No caso da Pfizer, Filipe Garcia nota que "a vacina teve efetivamente um impacto na cotação das ações no momento da sua descoberta, mas depois esse efeito esvaneceu-se". A gigante Johnson & Johnson, que faz um pouco de tudo na indústria farmacêutica, tem registada uma "subida praticamente desde o início de abril de 2020", diz Paulo Rosa. "Nessa altura, chegou a cotar nos 111 dólares, no dia 23 de março e a 23 de abril chega aos 155 dólares.

Moderna destaca-se nos mercados

Entre as quatro farmacêuticas, a Moderna foi aquela que "sofreu uma transformação grande e é uma das vencedoras, dígamos assim, da pandemia", diz Filipe Garcia. Os títulos da empresa "tiveram uma subida que acelerou no início de novembro e tem grande clímax de compra no início de dezembro". Henrique Tomé, analista da XTB, contabiliza que "as ações da Moderna chegaram a disparar mais de 840% e, por consequência, atingiram também máximos históricos".

AstraZeneca

Viu a vacina contra a covid ser suspensa em vários países europeus, mas não teve impacto na cotação. Tem vindo a cair em bolsa desde julho do ano passado.

Pfizer

A vacina teve algum impacto na cotação no momento da sua descoberta, mas depois esse efeito esvaneceu-se. Desde então têm vindo a corrigir.

Johnson&Johnson

A maior gigante da indústria tem registada uma subida praticamente desde o início de abril de 2020. Os títulos da J&J registaram um máximo histórico no dia 26 de janeiro, nos 170,48 dólares. A 4 de março, as ações cotavam nos 153 dólares. Depois começa a encetar uma subida nas últimas duas semanas.

141 dólares

A farmacêutica Moderna foi a que mais beneficiou com a nova vacina contra a covid. Antes da pandemia andava pelos 25 dólares a ação. Agora está nos 141 dólares.

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