Covid-19

Variante ómicron chegará a Portugal, "só não se sabe quando"

Variante ómicron chegará a Portugal, "só não se sabe quando"

As autoridades de saúde em Portugal estão a investigar casos, mas não são suspeitos. A estirpe virá, mas "não há razões para alarmismos".

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse no sábado que "há casos em investigação" de covid-19, mas "não se pode dizer que são suspeitos" de contágio pela variante ómicron do vírus SARS-CoV-2, alegadamente oriunda da África do Sul, cujo Governo considera o cancelamento de ligações aéreas um "castigo" por ter capacidade científica para fazer a sequenciação genómica do vírus e partilhar rapidamente a informação.

Aos jornalistas, Graça Freitas vincou que "até à data não foi detetado nenhum caso em Portugal", o que "não quer dizer que não estamos à procura". E pediu aos viajantes provenientes de países onde a estirpe existe que façam um teste antigénio e o repitam cinco dias depois. Em Portugal, o boletim de ontem deu conta de 3364 novas infeções por covid-19 e 12 mortes.

Casos na Europa

Na Europa, há um caso de variante ómicron na Bélgica, dois no Reino Unido, dois na Alemanha, dois na Dinamarca, um em Itália e um na República Checa. Nos Países Baixos as autoridades estão a investigar casos suspeitos. E fora do velho continente e de África, a estirpe já chegou também à Austrália, onde há quatro casos. É "inevitável" que chegue a Portugal, pois "nenhum país está fechado ao mundo", disse ao JN o virologista Nuno Saraiva. "Só não se sabe quando", notou, mas "não há motivo para alarmismo, para já".

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"Não sabemos muito sobre esta estirpe, não sabemos se é mais ou menos infecciosa". Quando a Organização Mundial de Saúde diz que a variante é preocupante, "não quer dizer que seja má", nota, crendo que as vacinas "foram desenhadas para outras estirpes".

Devemos aguardar a evidência científica fornecida pelos estudos, pede. E é necessário "monitorizar, monitorizar, monitorizar" e aumentar a vacinação nas regiões, como África, onde continua muito baixa. "Não surpreende que surja mais uma estirpe", salienta. Apesar dos "gritos dos cientistas", não se vacinou nos países pobres. Nuno Saraiva contesta que Portugal e a União Europeia fechem os voos, nomeadamente à África do Sul.

"O facto de um país reportar uma estirpe não quer dizer que ela seja prevalente", observa e é perigoso "fechar as portas aos países onde ela existe, porque podemos estar a matar o mensageiro: por falta de capacidade, de transparência ou por receio de cancelamento de voos, podem deixar de dar informações", alerta.

Refutando que a ómicron tenha origem no país e garantindo que "nenhuma pessoa infetada é autorizada a sair do país" (ontem, 61 passageiros testaram positivo à chegada a Amesterdão), o Governo sul-africano afirma haver casos noutros países sem qualquer relação (a jovem belga esteve na Turquia e no Egito), lamentou o impacto das restrições aéreas na vida das famílias e nas indústrias do turismo e viagens, considerando-se castigada pela "excelência" da sua ciência e divulgar publicamente as suas descobertas.

O que se sabe sobre a nova estirpe do SARS-CoV-2?

A estirpe designada B.1.1.529, ou variante ómicron, em referência à 15.ª letra do alfabeto grego (O), foi detetada na África do Sul, num pico de casos de covid-19, de 868 para 2465 em dois dias. Tem pelo menos 50 mutações, incluindo 30 alterações na proteína espícula, que infeta as células hospedeiras e é o alvo da maior parte das vacinas contra a covid. Mas não se sabe se é mais ou menos infecciosa ou patológica do que outras.

É possível uma propagação da variante ómicron significativa entre a população já vacinada?

O cientista britânico que liderou as pesquisas para a vacina Oxford/AstraZeneca, Andrew Pollard, diz ser "altamente improvável", como já se viu com a variante delta, mas que, se acontecer, "seria possível agir muito rapidamente", porque "os processos de desenvolvimento de uma nova vacina estão cada vez mais robustos".

As atuais vacinas serão eficazes contra a nova variante?

O diretor do Oxford Vaccine Group admite que sim, mas adverte que tal possibilidade só poderá ser confirmada nas próximas semanas. Fabricantes de outras vacinas, como a Pfizer/BioNTech, a Moderna e a Novavax também se afirmaram confiantes na sua capacidade para combater a nova estirpe.

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