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Vários portugueses em Cabo Verde ainda não conseguiram regressar

Vários portugueses em Cabo Verde ainda não conseguiram regressar

Dezenas de portugueses a viver na Praia, em Cabo Verde, estão a sentir muitas dificuldades em voltar para Portugal. Queixam-se da falta de informação da Embaixada de Portugal em Cabo Verde e da TAP, e do preço dos bilhetes.

"Paguei 833 euros, quando o mesmo voo em maio custa 150 euros. As pessoas pagam o que for preciso, mas isto é fazer lucro com o nosso desespero. Anunciou-se um suposto voo de repatriamento humanitário, mas é um voo de especulação", critica um dos portugueses em Cabo Verde, que não quis ser identificado.

Na terça-feira, dois aviões da TAP trouxeram das ilhas cabo-verdianas do Sal e de Santiago (Praia) portugueses que já tinham bilhete na transportadora aérea, mas muitos ficaram em terra e sem informações dos próximos voos. Uns dias antes, a 21 de março, o Ministério dos Negócios Estrangeiros autorizou voos da TAP para permitir o regresso dos portugueses retidos em Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, disse à Lusa fonte do gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Quem esteve no aeroporto na terça-feira diz, porém, que os voos não permitiram o regresso da maioria dos portugueses, principalmente por causa dos preços praticados. "Os voos permitiram o regresso de cidadãos de onde quer que fossem, desde que tivessem bilhete da TAP ou disponibilidade para pagarem 1200 euros. Vi alemães e austríacos a embarcarem. Acho que houve falta de transparência nas informações que nos deram", conta um dos portugueses que continua retido.

Após a autorização dos voos, a Embaixada de Portugal em Cabo Verde publicou, no passado dia 21, na rede social Facebook, uma nota informativa na qual pedia a todos os passageiros com voos cancelados que preenchessem um formulário eletrónico disponibilizado pela TAP para os voos e aguardassem contactos. "Não só não me ligaram, como quando me dirigi ao aeroporto disseram que não fazia parte dessa lista, quando eu preenchi o formulário", explica a mesma fonte.

Balcão da TAP fechado durante um dia inteiro

Na terça-feira, quando partiu um voo para Portugal, dirigiu-se ao aeroporto para obter mais informações, mas o balcão da TAP estava fechado. Só abriu por volta das 00.30 horas, quando os passageiros ficaram a saber que ficariam em terra porque seria dada prioridade a quem já tinha bilhete. "É justo ter sido dada essa prioridade, mas podiam ter-nos comunicado. Assim fiquei em terra e saí do aeroporto seis horas depois de lá ter entrado para obter informações", conta.

TAP garante que está a fazer "grande esforço"

A TAP, ao JN, explicou que não está a fazer voos de repatriamento, mas a voar para países para onde estava proibida de voar. "Com a colaboração do Ministério dos Negócios Estrangeiros conseguimos desbloquear estas proibições e fazermos estes voos especiais", esclarece. "São voos em condições extremamente difíceis, em que o voo que parte de Lisboa vai vazio e tem custos muito altos. Estamos a fazer um grande esforço para viabilizar a operação", garantiu. Os aviões partem de Lisboa vazios, o que também explica os preços mais elevados, justifica ainda a TAP.

A companhia aérea reconhece ainda que tem tido dificuldade em responder a todas as solicitações devido a "um elevado número de chamadas" e "lamenta a inconveniência que esta situação possa causar aos clientes". "A TAP está a fazer tudo o que pode, há pessoas que não têm dormido para que tudo isto aconteça", sublinhou.

A companhia aérea diz ainda que pediu autorização ao Governo de Angola e de Cabo Verde para realizar mais dois voos extra, "que têm como objetivo continuar a trazer de volta a casa e às suas famílias mais de 400 portugueses, bem como transportar carga médica e humanitária". Um deles será feito esta sexta-feira de madrugada.

Segundo o gabinete da Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, "estes voos são operações comerciais". Ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, avança ainda, "compete intervir para assegurar que os voos são autorizados pelas autoridades respetivas dos países para que se destinam, recolher pedidos de apoio e manifestações de interesse de concidadãos no aproveitamento de tais voos e informá-los da sua realização". "Os aspetos ligados a reservas, preços, capacidade, etc, são, naturalmente, da responsabilidade da companhia", conclui.

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