OE2022

Ventura diz que IL e Livre são "os novos parceiros" do PS e Santos Silva ouve críticas

Ventura diz que IL e Livre são "os novos parceiros" do PS e Santos Silva ouve críticas

O líder do Chega, André Ventura, acusou a IL e o Livre de se terem tornado nos "novos parceiros" do PS e do Governo após o fim da geringonça. O terceiro dia de discussão e votação do Orçamento do Estado (OE) na especialidade também ficou marcado por um episódio em que PCP e PSD criticaram o presidente da Assembleia da República por ter dado a palavra ao deputado do Livre quando o contador mostrava que este já tinha cinco segundos negativos.

"O PS fez o filme deste OE. Quis dar a mão ao Livre e à IL aprovando propostas pontuais acordadas previamente", acusou Ventura. Considerando que estes dois partidos são "os novos parceiros" dos socialistas, o presidente do Chega centrou-se na proposta do Livre sobre o estudo da introdução da semana de trabalho de quatro dias - que os socialistas aprovaram - para desferir um ataque ao PS e ao partido de Rui Tavares.

"Quando o país falir novamente, lembrem-se do Livre e do PS", referiu Ventura, argumentando que Portugal não tem capacidade para implementar a redução da semana de trabalho.

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Esta quarta-feira, o PS permitiu a aprovação de uma proposta de alteração feita pela IL às regras de atribuição de bolsas no Ensino Superior. Os socialistas tinham votado contra na véspera mas mudaram o sentido de voto depois de os liberais terem avocado o projeto a plenário. Dessa forma, o diploma foi aprovado por unanimidade.

Além do Chega, também o PCP tem realçado a aproximação entre PS e IL. Na segunda-feira à noite, após o primeiro dia da votação do OE na especialidade, os comunistas sublinharam, nas redes sociais, que todas as suas 90 propostas apreciadas nesse dia foram chumbadas pelos socialistas, vincando que os liberais votaram de forma idêntica à do partido do Governo em 39 delas.

No Twitter, a deputada Alma Rivera, do PCP, reforçou esta tese: "Ao fim do primeiro dia de votações do OE, quem são os mais coincidentes nas votações? PS e IL", escreveu, também na segunda-feira.

PSD critica Santos Silva: "Não há direito de igualdade no ilícito"

O debate da manhã desta quarta-feira ficou igualmente marcado por uma divergência entre PSD e PCP, de um lado, e o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, do outro. Em causa esteve o facto de este último ter permitido uma intervenção de Rui Tavares quando o deputado já tinha ultrapassado em cinco segundos o tempo de que dispunha.

Perante o sucedido, a líder parlamentar comunista, Paula Santos, protestou sobre a condução dos trabalhos, realçando que o Livre já "não tinha tempo" para intervir e que o facto de Santos Silva ter dado a palavra a Rui Tavares abriu um "precedente" para o futuro.

Santos Silva respondeu: "Desde há umas intervenções que vários grupos parlamentares infringiram a regra do tempo e eu procurei equilibrar esses incumprimentos". No entanto, o presidente da Assembleia acatou a crítica dos comunistas, referindo ter tomado "boa nota" da "interpretação mais restritiva do regimento" do Parlamento.

Na sequência, foi a vez do líder da bancada do PSD, Paulo Mota Pinto, pedir a palavra: "Não há direito de igualdade no ilícito ou na violação do regimento", referiu, visando Santos Silva e recebendo palmas dos deputados sociais-democratas.

Perante a observação de Mota Pinto, Rui Tavares solicitou intervir em defesa da própria honra - uma figura de que os deputados dispõem para protegerem o seu bom-nome -, argumentando que o parlamentar laranja o tinha acusado de praticar uma ilegalidade.

Contudo, Santos Silva recusou dar-lhe a palavra, frisando que as interpelações do PCP e do PSD "foram dirigidas à Mesa" da Assembleia e não ao parlamentar do Livre. "Não vale a pena prolongar um debate que não tem nenhum interesse", acrescentou o presidente do Parlamento, colocando um ponto final na situação.

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