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Verdade de Cavaco está no site de Belém

Verdade de Cavaco está no site de Belém

Cavaco Silva aconselhou ontem, sábado, “quem quiser conhecer a verdade” – sobre o que ele próprio faz – a consultar o site da Presidência. Mais um passo no pingue-pongue verbal com o Governo, que também já envolveu Manuel Alegre e Mário Soares.

A declaração do chefe de Estado, proferida um dia depois de José Sócrates ter declarado que se sente “sozinho a puxar pelo país”, não deixa quaisquer dúvidas quanto ao acentuar da crispação entre órgãos de soberania.

“Quem quiser conhecer a verdade – repito: a verdade; insisto: a verdade –   sobre aquilo que diz e faz o presidente da República, basta ir ao site da Presidência. Lá, está a verdade”, disse, após uma sessão evocativa, em Sobral de Monte Agraço, da vitória portuguesa nas Linhas de Torres sobre as tropas napoleónicas, há 200 anos. Em causa, a declaração proferida no dia 10 de Junho, repetida na quinta-feira à noite, de que o país se encontra numa situação económica “insustentável”.

Antes desta tomada de posição de Cavaco Silva, já um candidato a chefe de Estado e um anterior titular do cargo se tinham pronunciado sobre a questão da insustentabilidade.

Num jantar de pré-campanha, em Setúbal, Manuel Alegre considerou que ao presidente da República “cabem não palavras de depressão, que desmobilizem os portugueses, mas uma palavra de confiança”, uma vez que “não é eleito para avisar, nem para prevenir; tem poderes consagrados na Constituição”.

O candidato apoiado pelo PS aproveitou para deixar uma questão: “O que é que ele [Cavaco Silva] fez para impedir que a situação fosse insustentável?”

“Não sei se há” alguma crispação”, admitiu por sua vez Mário Soares, em Arcos de Valdevez.Porém, na sua óptica, apelos constantes “de uma maneira mais ou dramática” sobre a situação insustentável de um país não corresponderão ao papel de um presidente. “Não é isso que se espera dele. Espera-se que, quando muito, diga às pessoas – e sobretudo aos governos e aos partidos – o que ele pensa que devem fazer”, afirmou, considerando que a um presidente compete “dar sugestões úteis e construtivas”, não “denunciar uma situação que as pessoas sentem na própria casa e não é só portuguesa”.