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Infraestruturas de Portugal

Está "totalmente viabilizada" a inserção de tabuleiro rodoviário na ponte do TGV

Está "totalmente viabilizada" a inserção de tabuleiro rodoviário na ponte do TGV

A Infraestruturas de Portugal (IP) revelou, esta quarta-feira, que a construção de uma única nova ponte, com um tabuleiro inferior que absorve a ponte D. António Francisco dos Santos e um superior para a linha do TGV, sobre o rio Douro, está "totalmente viabilizada" do ponto de vista técnico. A decisão, que implica a anulação do concurso público que decorre para o projeto da ponte rodoviária, será tomada "nas próximas semanas", entre os autarcas e a tutela.

"Do ponto de vista financeiro, é muito mais barato fazer uma ponte do que duas [sobre o rio Douro, ligando o Porto e Gaia]. A viabilidade técnica da fusão das duas pontes está comprovada. Esta é uma solução totalmente viabilizada. Será uma decisão dos senhores autarcas [do Porto e de Vila Nova de Gaia] e do senhor ministro [das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos]", disse Carlos Fernandes, do conselho de administração da IP.

No Porto, no terminal ferroviário de Campanhã, onde esta manhã foi apresentado o projeto de alta velocidade para a ligação de Lisboa ao Porto e do Porto a Vigo, em Espanha, Carlos Fernandes avançou que a decisão sobre se a ponte que receberá a linha do TGV avança ou não com dupla utilização, "será tomada nas próximas semanas".

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Para levar a cabo o projeto do TGV, uma promessa com décadas, e que esta quarta-feira foi apresentado pelo primeiro-ministro, António Costa, a IP precisa de construir uma ponte sobre o rio Douro, sendo necessário ir ao encontro das estações de Campanhã, no Porto, e de Santo Ovídio, em Gaia. Aliás, o projeto para a estação de metro da linha Rubi, que também será naquele local, está a ser "ajustado" para que tenha ligação ao TGV e os passageiros possam "apanhar o metro sem ter que ir à superfície".

Antes do discurso do primeiro-ministro, António Costa, que encerrou a cerimónia, o ministro Pedro Nuno Santos referiu que, ali, começou uma "revolução". Depois de ter assistido à apresentação da nova linha de comboio de alta velocidade, o governante, ironicamente, perguntou: "Se isto não é uma reforma estrutural, é o quê?". Anteriormente, já Pedro Nuno Santos tinha elogiado o trabalho de recuperação de comboios que tem sido feito na oficina de Guifões, em Matosinhos, e recordou o lançamento de um concurso público para a aquisição de 117 comboios novos. O objetivo, esclareceu, é que as pessoas "escolham o transporte coletivo e deixem o carro em casa", reconhecendo que, para isso, "têm de confiar no comboio e confiar que ele aparece e aparece a horas".

Seguiu-se o primeiro-ministro, que admitiu que o projeto "demorou tempo a arrancar" pela dificuldade em reunir equipas técnicas, mas que "tudo entrou nos carris". "O comboio pôs-se em marcha. Isso é uma grande mudança de paradigma".

Durante o discurso de António Costa, ouviram-se contestações por parte dos passageiros que passavam pela estação, descontentes com o serviço que lhes tem sido prestado.

Linha do TGV ligará Porto a Lisboa em uma hora e 15 minutos

A linha de alta velocidade, que ligará o Porto a Lisboa em uma hora e 15 minutos, será construída por fases, tendo a sua conclusão prevista após 2030. Os estudos necessários para a primeira fase de construção da linha, entre Porto e Soure, estão quase terminados, seguindo-se o envio dessas conclusões para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) proceder à Avaliação de Impacto Ambiental, que se prevê estar terminada no próximo ano.

Se tudo correr como o previsto, a Infraestruturas de Portugal (IP) conta lançar o concurso para a empreitada referente a esta fase em 2024, estando as obras no terreno no ano seguinte e concluídas em 2028. Só para esta etapa da obra está previsto um investimento de 2950 milhões de euros, dos quais mil milhões são financiados por fundos comunitários.

Quanto à segunda fase da linha de alta velocidade, que diz respeito à ligação entre Soure e Carregado, a construção deverá arrancar em 2026, prevendo-se que esteja concluída em 2030. Depois desse ano, ficará concluída a terceira fase, entre Carregado e Lisboa, altura em que a IP conta aumentar o número de passageiros entre o Porto e Lisboa para os 16 milhões.

De Gaia ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro em 12 minutos

O projeto da linha do TGV prevê ainda uma ligação em alta velocidade do Porto a Valença, contando com um troço direto ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, em túnel, que também deverá estar pronto depois de 2030. A infraestrutura permitirá, avança a IP, que um passageiro de Gaia possa chegar ao aeroporto em 12 minutos. De Espinho, serão 35 minutos.

Os estudos para esta ligação deverão arrancar no próximo ano para que depois possa ser feita a Avaliação de Impacto Ambiental pela APA.

Na imagem abaixo pode constatar as reduções do tempo nas viagens na primeira fase, conseguidas através das obras nas diferentes linhas da ferrovia, incluindo as de alta velocidade. A título de exemplo: uma viagem do aeroporto do Porto para Viana do Castelo vai durar aproximadamente o mesmo tempo do que do aeroporto para Vigo, já que esta será uma ligação TGV.

Isto porque, explicou esta manhã Carlos Fernandes, do Conselho de Administração da IP, o troço mais congestionado da Linha do Norte, e que é utilizado por 92% dos comboios que transportam mercadorias, é, precisamente, entre Porto e Soure. "E é por aqui onde vamos começar a construir a linha nova", referiu.

A terceira fase da obra, que ligará Carregado e Lisboa avança mais tarde, uma vez que, acrescenta o administrador, o serviço da Linha do Norte será "quadruplicado" entretanto, com um aumento de "capacidade".

"A principal característica desta nova linha é que estará totalmente integrada com o resto da rede ferroviária nacional", observou Carlos Fernandes. Ou seja, a linha de alta velocidade não será um "eixo autónomo ou independente", estendendo-se os seus benefícios "ao resto do país".

E o administrador exemplificou: "Um comboio pode sair de Lisboa, pode depois em Leiria tomar a Linha do Oeste e servir a Figueira da Foz. Desta maneira, podemos reduzir o tempo de ligação à Figueira da Foz em cerca de uma hora e 53 minutos. Também se pensarmos na Guarda, um comboio pode sair do Porto ou de Lisboa através da alta velocidade, pode sair da Linha do Norte para a Linha da Beira Alta e a Guarda ganhar, em termos de percurso, cerca de 47 minutos relativamente a Lisboa e cerca de 1 hora e 19 relativamente ao Porto".

Esta "é uma característica marcante deste investimento", reforçou, porque "outras cidades no país vão também beneficiar deste eixo".

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