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Vidas dos portugueses repatriados da China vão ser passadas a pente fino

Vidas dos portugueses repatriados da China vão ser passadas a pente fino

A Direção Geral da Saúde (DGS) vai submeter os portugueses que chegarão de Wuhan a uma avaliação criteriosa das suas vidas, assim que aterrarem em França.

O objetivo da DGS, segundo a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, é perceber qual a relação entre estes 16 portugueses, que sairão amanhã da China a partir do epicentro do surto do coronavírus, e traçar uma estratégia de contenção da doença.

"Estes portugueses estão no centro da cidade onde surgiu uma doença nova. Temos de ter a noção que estas pessoas são de uma zona especial, do epicentro [da doença]. [Por isso] Estas pessoas são especiais e terão um tratamento especial", garantiu, esta sexta-feira, na sede da DGS, em Lisboa, Graça Freitas, onde reconheceu a "situação de imensa complexidade, desde saúde até diplomáticos" destes casos.

"Estamos a coletar informação [sobre estes portugueses] que nos permita perceber melhor coisas tais como: estas pessoa fazem parte dos mesmos grupos? São da mesma família, vivem juntas?", apontou, referindo que será de forma voluntária que estes repatriados irão decidir se querem submeter-se a isolamento durante 14 dias nas duas unidades criadas para o efeito - uma no Hospital Militar, no Porto, e outra no terceiro piso da Unidade Rainha D. Amélia, no Hospital Pulido Valente, em Lisboa.

Segundo Graça Freitas não há possibilidade de a DGS assegurar que, através de pontes áreas diversas, cujos voos tenham tido como destino aeroportos nacionais, não tenham chegado cidadãos a Portugal vindo de áreas chinesas onde há reportes de doentes com coronavírus.

"Não posso garantir que não exista outros casos [suspeitos] em Portugal", principalmente se "vêm de uma área afetada", adiantou, referindo que a entidade não irá colocar equipas de rastreio nos aeroportos e que quem sai da China já é submetido a despistagem pelas autoridades locais. "E a China é o país que melhor rastreio faz", frisou. A sensibilização a quem aterra em solo nacional será feita por cartazes em português, inglês e chinês.

A responsável da DGS sublinhou ainda que "não houve menosprezo" por parte desta entidade perante o primeiro aviso do Comité de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS), há mais de duas semanas, sobre o coronavírus na China. "Desde o início que avisámos que há um novo virus", disse Graça Freitas, após ser confrontada com as declarações produzidas aquando do anúncio da OMS.

"Até à data todos os países que receberam casos têm conseguido conter a doença. Na China há já doentes que começaram a ter alta. A taxa de mortalidade tem se mantido relativamente baixa apesar de ser um vírus novo", explicou, sublinhando que, "quando emergem estes novos agentes patogénicos", há duas estratégias a desenvolver. "Inicialmente conseguimos ter um controlo do epicentro e depois, se as coisas evoluirem ,as coisas entram em fase de mitigação. [E] Ainda estamos em fase de controlo", acrescentou, defendendo que "os focos da doença tem sido contidos".

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