Porto, Gaia e Matosinhos

Voto antecipado: "A fila vai até lá ao fundo, a que horas vou sair daqui?"

Voto antecipado: "A fila vai até lá ao fundo, a que horas vou sair daqui?"

Nas primeiras horas deste domingo, foi grande a afluência às urnas de quem se inscreveu para exercer o voto antecipado nas eleições para a Presidência da República, oficialmente marcadas para daqui a uma semana. No Porto, em Gaia e em Matosinhos, milhares de eleitores enfrentaram filas de espera, umas mais longas do que outras, que fizeram alguns dar meia volta e desistir.

Na cidade Invicta, a votação decorre no Centro Cultural e Desportivo dos Trabalhadores da Câmara. Às 9.30 horas, quando o JN lá chegou, não se ouviram queixas, tudo decorria com normalidade e em segurança. "Foi rápido. Está tudo muito bem organizado", afirmou Júlia Sousa, de 75 anos, depois de ter sido transportada até à mesa de voto num dos pequenos veículos, semelhantes aos usados nos campos de golfe, que a autarquia liderada por Rui Moreira colocou à entrada para as pessoas de mobilidade reduzida.

"Tenho um bocadinho de medo do vírus, mas eu tenho cara feia e ele foge. Não vai acontecer nada", ironiza Júlia, acompanhada pelo filho, Pedro, e a nora, Isabel, que também não poupa nos elogios à operação levada a cabo pela autarquia portuense: "Está tudo impecável. É importante que as pessoas venham votar. A abstenção não é solução, nunca, mesmo em tempos de pandemia", apelou.

Como já é tradição nas eleições em Portugal, a afluência às urnas foi crescendo à medida que as horas passavam.

Em Matosinhos, na Secundária Augusto Gomes, a meio da manhã, a confusão era grande nas imediações da escola e a fila parecia não ter fim. Francisco Silva esperou "entre 20 a 30 minutos" só para entrar no edifício e, depois, mais cerca de 15 para colocar o voto na urna: "A certa altura, deixaram de nos chamar, porque terá acontecido algo lá dentro de que não me apercebi".

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Quem votou aqui foi Rui Reininho, o vocalista dos GNR: "Achei mais lógico vir hoje para ajudar a subdividir as pessoas entre hoje e o próximo domingo. Isto está resolvido há muito tempo, pelo menos sabemos, há muito, em quem não se deve votar", disse-nos o músico a quem desafiámos que elegesse uma música que melhor definisse esta eleição: "Na circunstância em que estamos, infernal, escolho uma que não é nossa, mas que nós interpretamos: o "Inferno", do Roberto Carlos."

Infernal estava também a vida dos eleitores que, ao final da manhã, tentaram votar antecipadamente em Gaia, na Escola de Almeida Garrett. Tal como em Matosinhos, a espera também era grande. "Chegámos há 20 minutos. Já me arrependi, porque vim hoje votar para fugir da confusão e, afinal, meti-me na confusão. E de hoje a oito dias, aqui no concelho vai haver 17 locais de voto, portanto não vai haver tanta confusão. Devia ter pensado nisso também", afirma Albano Sousa, acompanhado da mulher, Olga, que, mesmo arrependidos da opção tomada, prometeram esperar o que fosse preciso para votar.

Não foi o caso de Isabel Gomes que, acabada de chegar, não esperava deparar-se com tanta gente, que a fez desistir. "Acha que isto tem algum assunto em tempos de pandemia? Isto é surreal, a fila vai lá até ao fundo... Vou sair daqui a que horas? Vou mas é embora, não voto hoje nem provavelmente para a semema. Está aqui o senhor presidente da Câmara, que devia ouvir isto. Devia haver mais espaços para votar, porque não há condições para que aqui votem mais de oito mil e tal eleitores...", lamentou.

Apesar das queixas que ouviu enquanto esteve à entrada da escola, Eduardo Vítor Rodrigues fez um "balanço positivo" da operação nas primeiras horas desta votação antecipada que é organizada a nível concelhio e não distrital, como nas legislativas de 2019.

"Há uma afluência enorme, o que é excelente e que também era expectável, embora seja um modo de votação diferente do habitual, mais lento, porque não se trata de uma mera dobragem do boletim e colocá-lo na urna. Há dois envelopes para colocar o boletim e, portanto, nem sempre todos são expeditos, e isso faz com que se vão acumulando pessoas. Esta espera decorre do facto de estarmos a gerir tudo em segurança, entrando uns de cada vez, para termos um distanciamento absolutamente regrado", justificou o autarca gaiense em declarações ao JN.

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