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ZERO aponta o dedo a marcas de roupa por desperdício têxtil

ZERO aponta o dedo a marcas de roupa por desperdício têxtil

A ZERO (Associação Sistema Terrestre Sustentável) acusou, este sábado, marcas de roupa de desperdício têxtil. Com base numa análise que efetuou às lojas online de 35 grandes marcas de roupa, a associação revelou que apenas seis marcas (17%) têm iniciativas de recolha para reciclagem.

Em comunicado, a ZERO afirmou considerar urgente a aplicação de uma abordagem adequada da responsabilidade alargada do produtor (RAP) ao setor dos têxteis, de forma a garantir que é quem coloca o produto no mercado que financia o sistema de encaminhamento e tratamento dos resíduos quando estes chegam ao fim da sua vida. "Contudo, não podemos ter uma RAP assente apenas em "pagar para poluir". É fundamental que o foco seja na redução da produção, no incentivo a têxteis duráveis/reutilizáveis/reparáveis e na garantia que a sua produção é feita a pensar também na sua reciclagem em upcycling, ou seja, fibra reciclada que possa ser usada para fazer novos têxteis", acrescentou a associação.

Considerando que a recolha seletiva de têxteis usados passará a ser obrigatória a 1 de janeiro de 2025 em toda a UE (de acordo com a Diretiva Quadro de Resíduos os Estados Membros da União Europeia), a ZERO considera que a mesma só faz sentido no âmbito da aplicação da responsabilidade alargada do produtor. "É urgente garantir o enquadramento legal que permita tornar o setor circular", salientou.

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Deste modo, a associação ambientalista defende que a definição de objetivos claros de redução, reutilização e reciclagem é essencial para assegurar que o investimento financeiro e humano respeita a hierarquia de gestão de resíduos. Além disso, apela à adoção de medidas como a promoção da reciclagem em sistema fechado (fibra para fibra), a criação de uma boa rede de recolha, a triagem prévia à exportação de têxteis, a fixação de percentagens de alocação de parte do ecovalor à sua reutilização, processos transparentes e o acesso do setor social à roupa em segunda mão.

Note-se que, segundo dados europeus, são produzidas anualmente 5,8 milhões de toneladas de resíduos têxteis na UE, o que corresponde a cerca de 11 kg por pessoa/ano. Por outro lado, de acordo com a caracterização de resíduos de Portugal Continental, os têxteis representam 3,45% dos resíduos urbanos e, só em 2021, foram recolhidas 176 400 toneladas deste tipo de resíduos (segundo o último Relatório anual de Resíduos Urbanos).

A nível europeu, o setor têxtil é o 4.º com maior impacto no ambiente e nas alterações climáticas e o 3º com maior uso de recursos hídricos e solo.

"É importante ter presente que 80% dos impactos ocorrem fora do espaço da UE. Assenta, cada vez mais em fontes não renováveis - como o poliéster que é um recurso fóssil - e é uma das grandes fontes de libertação de microfibras (fibras sintéticas) ", destacou a associação, preconizando um uso consciente dos têxteis, através da redução da compra e da maximização do uso (doando, trocando ou vendendo) da preferência por materiais o mais renováveis possível.

A divulgação do estudo realizado pela ZERO surge no âmbito da semana europeia da prevenção de resíduos, este ano dedicada ao tema dos têxteis. Envolvendo 30 países, a iniciativa decorre entre os dias 19 e 27 de novembro.

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