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"Quem dá rosto e identidade a um país é a cultura"

"Quem dá rosto e identidade a um país é a cultura"

"Ninguém investe num país que não sabe muito bem o que é", disse uma vez Paulo Cunha e Silva. O antigo vereador da Cultura da Porto explicava, em 2015, numa entrevista ao Público, que Portugal possui "um conjunto de estrelas que não conseguem formar uma constelação". E ilustrava a ideia: "Toda a gente sabe quem é Saramago, Pessoa, Mourinho, Ronaldo, Siza Vieira, Manoel de Oliveira - mas não há uma ideia de país". Cunha e Silva, que fora adido cultural em Roma, falava com conhecimento de causa. Sabia a dificuldade que era tentar promover o tal país que ninguém sabe o que é. Esse desconhecimento, explicava, "tem a ver com a péssima estratégia de internacionalização, que só se pode fazer através de uma diplomacia cultural muito sustentada."

Em três anos, o mundo não mudou para melhor, mas a percepção de que a Cultura é determinante para um país começa lentamente, finalmente, felizmente, a fazer escola. A participação de Portugal como país-tema na 32ª edição da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México (de 24 de novembro a 2 de dezembro), reveste-se, por isso, de particular importância. Está longe, muito longe, de ser indiferente estar presente ou ausente. E Portugal não participava num evento literário desta dimensão desde 2013.

Como explica ao JN, na edição de amanhã, a ministra da Cultura recentemente empossada, Graça Fonseca, trata-se da "segunda maior feira do livro do mundo e a maior da América Latina", o que faz dela "uma grande oportunidade de posicionamento internacional para os nossos autores, produtos e bens culturais." São mais de 40 escritores, cineastas, coreógrafos e artistas plásticos que durante duas semanas estarão numa montra exposta a 800 mil visitantes, 500 meios de comunicação social e 20 mil mil profissionais do livro.

Voltando a Paulo Cunha e Silva: "Quem dá rosto e identidade a um país é a cultura". E são também pessoas como João Fernandes. O antigo director artístico do Museu de Serralves, no Porto, responsável pelo Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madrid desde 2012 - direção que partilha com o espanhol Manuel Borja-Vilel -, ocupa a 51ª posição no ranking de "pessoas mais influentes no mundo da arte contemporânea". A lista 'Power 100' é da responsabilidade da revista especializada ArtReview.

Continua a ser na Cultura que se somam as boas notícias. Se é verdade, como dizia Agostinho da Silva, que a gastronomia é uma forma de arte, é mesmo aí que Portugal acaba de ganhar mais três estrelas Michelin. Descubra aqui os restaurantes de Guimarães, Bragança e Sintra premiados.

E porque o fim de semana está à porta, anote três sugestões: se está em Lisboa, tem 50 concertos, para ver em dois dias no Super Bock em Stock. Se está no Porto, pode mergulhar na 5ª edição do Porto Post Doc, o festival de cinema documental que exibe mais de cem filmes até ao dia 2 de dezembro. Se está em qualquer outra parte do país, passe pelo JN e fique a saber o que está a acontecer perto de si.

Outra vez uma adaptação de Agostinho da Silva: não se queixe da falta de tempo, tenha apenas curiosidade e nunca desista de saber mais.

Bom fim de semana.