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A pandemia da maldade humana

A pandemia da maldade humana

Numa altura em que o país acorda todos os dias à espera de melhores notícias, os olhos desviaram-se da pandemia da Covid-19 para um crime horrendo e inexplicável, em que a vítima é uma criança de nove anos.

Ainda não tive a felicidade (e a grande responsabilidade) de ser pai, nem sei se algum dia vou ser. Mas sou tio de duas meninas que são muito responsáveis pelos meus sorrisos. Uma pouco mais velha e outra pouco mais nova do que a Valentina, menina que foi sepultada esta terça-feira. E, ao fim de três dias, ainda me custa pôr em palavras o que aconteceu em Peniche e digerir uma situação em que uma criança é vítima da maldade humana.

Como me custa a pôr em palavras que uma mãe deixe um filho bebé à chuva e ao frio durante mais de uma hora, tapado apenas com uma manta. Aconteceu na madrugada de segunda-feira, em Lisboa. Mais um caso em que o ser humano mais inocente e indefeso do mundo é a vítima.

Como as más notícias parecem amontoar-se, voltemos à Covid-19. Já foram piores, é certo, mas esta terça-feira contam-se mais 19 óbitos por causa do vírus, bem como mais 234 casos. Em período de desconfinamento, ficou a saber-se que os profissionais de saúde vão poder voltar a gozar férias. Uma pequena luz ao fundo do túnel.

Em Famalicão, a Ponte da Minhoteira foi encerrada por precaução. O problema, segundo relata a Alexandra Lopes, é a estrutura que protege o pilar da ponte da fricção da água (quebra-mar) estar estruturalmente danificada. Tudo o que seja para evitar desgraças neste já desgraçado 2020 é bem vindo.

E que tal uma boa notícia? É trazida pelo Joaquim Gomes e tem a ver com o resgate de um cão numa vala de água, em Braga, num campo agrícola. O animal ficou a cargo de uma família de acolhimento.

"Grande é a poesia, a bondade e as danças...Mas o melhor do mundo são as crianças". Como em tudo o que escrevia, também aqui Fernando Pessoa (ou o nome pelo qual assinava) foi certeiro. "Tu és simples e justa, ai eu sei quanto custa tentar aprender os porquês", cantava o também certeiro Carlos Paião, ao dirigir-se a uma criança. Ontem, em conversa com um amigo que tem uma filha pequena, ele dizia-me que se eu fosse pai, sentiria ainda mais a revolta do que aconteceu à pequena Valentina. Já plantei uma árvore e já escrevi um livro, falta-me o terceiro objetivo. E mais do que ser pai, quero ser um bom pai.

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