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A ponte não avança e a culpa é da APA

A ponte não avança e a culpa é da APA

Quando foi anunciada em 2018, a ponte D. António Francisco dos Santos, a ligar Porto e Gaia, tinha um prazo de execução de quatro anos. Mas como o processo anda em marcha lenta, à imagem do trânsito nas grandes cidades, o calendário terá de ser alterado, atirando os trabalhos para mais tarde. As culpas, por agora, são endereçadas à APA, Agência Portuguesa do Ambiente.

Neste, como noutros casos, os autarcas queixam-se da burocracia. Para Rui Moreira, a centralização e o peso da máquina do Estado é motivo de crítica recorrente, mas Eduardo Vítor Rodrigues, em Gaia e na qualidade de líder da Área Metropolitana do Porto, não lhe fica atrás. Ambos falam no desgaste que estas maratonas provocam. Sabem que aos olhos do público são vistos como os maus da fita. Para desanuviar um pouco desse desconforto, o presidente da autarquia gaiense até disse que os jornalistas deviam poder acompanhar por dentro um destes dossiês para confirmar as múltiplas diligências e delongas que vão surgindo pelo caminho.

Mas as etapas são o que são e a crua realidade é que a ponte D. António Francisco dos Santos, nome que serve de homenagem ao antigo bispo, anda a passo de caracol. Não se descortinam resultados visíveis. O trabalho tem sido feito nos gabinetes. Sabe-se agora que a ligação entre Campanhã e Oliveira do Douro, no lado do Porto tem que ser deslocalizada. Porque é impossível mexer na Quinta da China, por ser uma zona classificada, a travessia será construída mais próxima da ponte S. João. A APA, que neste domínio dita as regras do jogo, entende que a distância da água tem que estar acima da cota do tabuleiro inferior da ponte Luis I, daí a mudança.

A burocracia, essa temida engrenagem, volta a abrandar a velocidade. Vai marcando os tempos. Também os custos. A alteração, do lado portuense, vai ter um preço extra de três milhões de euros para os acessos. No começo, o valor para a ponte era de 12 milhões, a dividir em partes iguais por Porto e Gaia, mas há a acrescentar os tais três milhões, mais 11,5 milhões, que é a fatia respeitante às acessibilidades na margem gaiense. Ou seja, a conta subiu para 26,5 milhões de euros. Mais do que duplicou relativamente à estimativa inicial.

Culpe-se a Agência Portuguesa do Ambiente, a entidade dos Portos do Douro e Leixões (APDL) ou os autarcas, os munícipes querem é ver obra. "Se foi prometida, é para fazer", dirão. No xadrez político, ainda há quem ponha em causa a oportunidade da futura travessia. As dúvidas são levantadas pela CDU e pelo BE. Decorrido ano e meio desde o anúncio, o tema continua em lume brando, mas as contas ameaçam fazer levantar fervura. De momento, a APA leva por tabela. Mas ainda estamos na primeira parte...