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À terceira é que nos vamos esquecer de vez que isto é uma pandemia?

À terceira é que nos vamos esquecer de vez que isto é uma pandemia?

Os portugueses começaram a sair mais de casa no segundo estado de emergência, diz um relatório do Governo. Agora, preparamo-nos para terminar o terceiro. Daqui em diante, como será? Com mil e uma medidas a serem finalizadas, para continuar a travar a pandemia de Covid-19 e, ao mesmo tempo, levar o país para a frente, será difícil esquecermo-nos que a luta contra o novo coronavírus ainda não terminou. Aliás, de acordo com os especialistas, está longe de terminar. Mas as regras serão cumpridas por todos ou o cansaço do confinamento falará mais alto?

Basta olhar pela janela de casa para perceber, nos últimos tempos, que há mais gente na rua. Basta ir ao pão ou ao supermercado para se encontrar, mais facilmente, aquela pessoa que já não se via há algum tempo. Há mais carros e mais pessoas nas estradas. É uma constatação fácil, a olhos vistos, que vem aumentando com o passar dos dias dos três estados de emergência que já foram declarados. Mas, esta terça-feira, o Governo traduziu num relatório o que já era simples de confirmar com qualquer olhar: os portugueses começaram a sair mais de casa no segundo estado de emergência. Isto num dia em que o presidente da República falou do fim do terceiro, dando a entender que não haverá um quarto. Mas isso quer dizer que vamos voltar à normalidade? Longe disso, como sabemos todos.

Os passos seguintes, para aquela que é apelidada, por Marcelo Rebelo de Sousa, de terceira fase do combate à pandemia, ainda estão a ser estudados. Os partidos políticos dividem-se em opiniões e todos têm uma palavra a dizer, como ficou claro na quinta reunião entre poderes políticos, parceiros sociais e especialistas do Infarmed. As medidas concretas, para uma primeira fase pós-estado de emergência, só serão conhecidas na próxima semana. No entanto, como o país está a tentar, aos poucos, retomar alguma da normalidade possível, são já muitas as dúvidas e os problemas que vão surgindo.

Ainda hoje, na nossa edição em papel, demos notícia do facto de as creches irem recusar crianças com mensalidades em atraso. Por outro lado, os promotores de festivais reuniram hoje com o primeiro-ministro, António Costa, e com outros membros do Governo, para apresentar as suas preocupações. Ou seja, esperam-se (e já estão a acontecer) problemas em várias frentes. E esperam-se resoluções, também, em várias áreas económicas, sociais e culturais. São tempos em que pouco ou nada se sabe sobre o dia de amanhã. São tempos novos para todos. E se a novidade já tem tendência para amedrontar, no geral, o ser humano, muito mais difícil se torna no decurso de uma pandemia. Até porque há muitas questões sem resposta. Exemplo disso é o número conhecido hoje, ainda sem explicação: desde o início do ano até 25 de abril, houve mais 307 óbitos em Portugal, em comparação com os últimos cinco anos.

No meio do caos, continuam a surgir boas notícias. É raro o dia em que não haja uma, tamanha tem sido a mobilização dos agentes sociais, de norte a sul. As campanhas de solidariedade multiplicam-se, como é o caso da iniciativa dos universitários de Aveiro que estão a oferecer apoio ao estudo aos alunos do ensino básico. E há campanhas que nos deixam um sorriso no rosto. Ou pode alguém não sorrir quando se sabe que a cadela Nina anda a "vender" máscaras para apoiar os bombeiros de Viana do Castelo, seus protetores?

Enquanto isso, a curva de novos casos de Covid-19, em Portugal, parece continuar a achatar. Mas todos os dias há novos infetados e todos os dias, ainda que menos, há novas mortes. Os portugueses, mais do que nunca, não se podem esquecer que isto é uma pandemia, sem uma data para terminar. Não é fácil cumprir o confinamento nem o distanciamento social exigidos. Não é fácil não abraçar os nossos amigos e a nossa família. Mas alguém espera que, um dia, um membro do Governo chegue e diga "abracem-se e beijem-se todos"? Isso não vai acontecer. Teremos que ir acompanhado a maré e adaptando as nossas necessidades às medidas que vão sendo tomadas por quem lidera o país. Atentos. Protegidos. Com bom senso. Isto é uma pandemia, não se esqueçam. Nem no fim do terceiro estado de emergência nem nunca, até ao fim.