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A tradição em crise

No dia em que a Direção-Geral da Saúde divulgou os dez conselhos para os portugueses passarem o Natal em segurança, os artistas de circo tradicional denunciaram a fulminante realidade que vivem. A tradição já não é o que era.

Esta terça-feira, em conferência de imprensa, subdiretor-geral da Saúde deixou aos portugueses os dez conselhos para passarem o Natal em segurança. A mensagem traduz uma consoada atípica, com menos gente em casa, recheada de distanciamento e salpicada com visitas curtas a familiares que não são do agregado familiar.

O primeiro Natal em contexto de pandemia de covid-19 terá, porventura, um sabor amargo para muitas famílias. É a quadra dos afetos, mas estamos impedidos de beijar e abraçar os familiares que estão fora do nosso agregado familiar. É a quadra da reunião familiar alargada numa altura em que estão proibidos os ajuntamentos. É o tempo do calor da lareira que se esvai quando nos pedem para arejar a casa. Nem em Braga há bananeiro.

Para a maioria das famílias, as que serão cumpridoras, este não vai ser um Natal como os outros. Mas essas famílias também sabem que disso depende a curva que tem determinado o limite das nossas liberdades desde março, que dá mostras de querer descer, mas cuja volatilidade já vimos no verão passado.

Dos comportamentos natalícios, mas não só, dependem milhares de empresários e empregos, setores inteiros de atividade como o do circo tradicional que está parado há nove meses. Os artistas circenses, profissionais formados com anos de experiência, estão a arranjar trabalho como motoristas e empregados de limpeza ou de hotel.

A redução da propagação da pandemia está dependente dos com comportamentos individuais, mas também com a vacina que até pode chegar primeiro que o Pai Natal. Quanto mais rápido esta redução acontecer, mais rápido a tradição vai voltar a ser o que era.

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