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Acendam a luz e alaguem o túnel da pandemia

Acendam a luz e alaguem o túnel da pandemia

Continuamos, pois, em isolamento e à espera de uma luz, aquela que já estará ao fundo do túnel, ou que está prestes a aparecer ao virar de mais uma curva escura. Duvido se não será já a que estou ali a ver à minha frente, talvez por força da vontade de sair daqui para fora, para bem longe desta névoa que nos perturba.

No túnel estamos, por certo - que sociedade que se preze não considera estas restrições coisa escura e deprimente, que a cada metro nos parece ameaçar o caminho? Que pelo menos saibamos e exijamos que as limitações não passem de uma exceção e que o túnel se possa alagar de liberdade que refrescará este estranho pântano virulento. Valha-nos a União Europeia, que exige que se cumpram regras estritas no rastreio da Covid-19.

É uma doença maldita que nos levou Luís Sepúlveda, escritor e um "amigo de Portugal", sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa. Ativista político, autor e nome grande das letras sul-americanas, deixa uma obra com mais de 20 títulos, toda publicada em Portugal pela Porto Editora. E deixa também muitos leitores ávidos pela escrita rica de um "contador maior", recordou Lídia Jorge.

Esta semana foi também interrompida pela morte súbita de outro grande da América do Sul, o brasileiro e Prémio Camões 2003 Rubem Fonseca, escritor que aprecio particularmente e que me deixou em legado a possibilidade de encontrar o cómico e o significado neste Mundo sórdido, um feito que me parece notável.

O estado de emergência será renovado, novas medidas serão aprovadas, a corda que nos aperta soltar-se-á um pouco. Mas as dúvidas sobre a doença persistem e é preciso, cada vez mais, rever regras básicas para que a retoma seja feita com cuidado

Para saber mais sobre a pandemia, leia o JN, na edição impressa (saiba em que quiosques pode comprar), ou na edição online (noticiário atualizado aqui).

Seria bom que no final disto tudo, depois da ansiedade abrandar e deixar-nos concentrar em melhorar as nossas vidas, que pudéssemos ser todos como Rubem. O JN recordou na edição de hoje que o brasileiro se declarou, quando esteve nas Correntes d'Escrita de 2012, "peripatético: tal como Aristóteles, acredito que só se ensina e aprende andando". Andando livres, acrescento eu. Da doença e de outras imposições a que alguns nos querem submeter.

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