Pandemia

(A)normalidades

Não há memória de algo semelhante em Portugal. A Polícia Judiciária deteve um estudante de engenharia que planeava um atentado terrorista em que mataria, já esta sexta-feira, colegas da Universidade de Lisboa. À hora a que vos escrevo, a notícia acaba de ser publicada no site do JN, mas será seguramente atualizada ao longo desta noite. Para já, sabe-se que o jovem terá sido influenciado pelas recorrentes matanças que se veem nas escolas norte-americanas.

Mais um. Após a Vodafone e os grupos de media Cofina e Impresa - só para referir os casos mais visíveis das últimas semanas -, o grupo de laboratórios de análises Germano de Sousa, com centenas de postos de colheita no País e uma faturação que medrou a bom medrar com a pandemia, foi alvo de ataque de piratas informáticos. É a notícia que marca esta quinta-feira, sabendo-se já que o ataque aconteceu na última madrugada. Como é habitual, desconhece-se a sua autoria, mas garantiram-nos que os piratas não acederam a dados pessoais dos clientes dos laboratórios. Há que ter esperança. Mais uma vez.

A jornada noticiosa faz-se, também, da manchete da nossa edição impressa, igualmente disponível no site do JN: "Regresso dos adeptos fez aumentar casos de racismo no futebol". É, por assim dizer, um regresso à normalidade, depois de a pandemia ter vedado ou limitado o acesso dos adeptos aos recintos desportivos em parte das duas últimas épocas. Os 64 casos registados na primeira metade da presente época 2021-22 até fazem prever um agravamento do fenómeno face a épocas anteriores à pandemia, mas o antropólogo Daniel Seabra duvida. "Mesmo admitindo que existem hoje condições sociopolíticas para o seu crescimento", o antropólogo diz, em entrevista ao JN, que talvez aquele número resulte só da "maior atenção e registo, por parte das forças policias", após o caso Marega em Guimarães.

Nos últimos tempos, também se tornaram relativamente comuns, ou normais, as notícias de ataques de orcas a embarcações de pequena e média dimensões, sem uma explicação cabal para tal comportamento destes mamíferos. Pois bem, no negócio das drogas, o engenho de traficantes para esconder o produto das autoridades parece inesgotável e, esta quinta-feira, damos notícia do caso de um português e um espanhol que tentaram aproveitar os intrigantes ataques das orcas para levar 172 quilos de haxixe a bom porto.

Se aquela estória pode parecer inverosímil, experimente ler esta: "Mais de 80% dos votos da Europa anulados". O edital sobre o apuramento geral da eleição do círculo da Europa, nas legislativas de 30 de janeiro, foi publicado esta quinta-feira e diz-nos que, de um total de 195 701 votos recebidos, 157 205 foram anulados. Não é anedota, é apenas uma vergonha. O edital também reporta que o número de votantes naquele círculo eleitoral foi de 20,67% do número de inscritos, num forte aumento da participação relativamente às legislativas de 2019, quando só 12,05% foram votar. Nas próximas eleições, não nos admiremos se voltarmos à normalidade.

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