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"As melhoras" que não se avistam

"As melhoras" que não se avistam

Há meses que se fala nos atrasos nas cirurgias, exames e consultas, nos rastreios oncológicos suspensos. Há meses que se fala nos doentes "não-covid" que estão a ficar para trás, nas limitações de acesso aos cuidados de saúde por causa da pandemia. Falam os doentes, falam os médicos, falam administradores hospitalares, falam políticos. Todos falam, mas pouco ou nada mudou.

E hoje o Instituto Nacional de Estatística vem, mais uma vez, confirmar o resultado de tudo isto: desde março estão a morrer mais pessoas em Portugal do que nos últimos anos e o motivo não é a covid-19. De 2 de março a 30 de setembro, houve mais 7144 mortes do que a média, no mesmo período, dos últimos cinco anos. Dessas, 1920 são óbitos covid-19. O pior é que não vai melhorar.

O relatório epidemiológico desta sexta-feira da Direção-Geral da Saúde aponta um percurso consistente da segunda vaga. Com mais seis mortes e 888 infetados, foi o segundo pior dia desde 10 de abril (1516). O primeiro pior foi há precisamente uma semana, quando se confirmaram 899 novos casos.

A diretora-geral da Saúde informou que há neste momento 344 surtos ativos. Na quarta-feira, quando foi o Parlamento eram 302. Mais 42 surtos em dois dias dá que pensar.

Com os casos ativos em números nunca vistos no país - 25.942 ontem - a procura da linha SNS24 bate recordes. Na segunda-feira, fez 10.200 chamadas de triagem e vai ser reforçada com dois novos call-centers e mais profissionais.

Aqui ao lado, em Espanha, o cenário continua negro - 11 mil novos casos e 113 mortes - mas a notícia que acordou o Mundo e mexeu com os mercados financeiros vem dos Estados Unidos. Donald e Melania Trump estão infetados com o vírus Sars-CoV-2. "É bem feito", murmurará meio mundo, entre dentes. Por cá, António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa desejaram-lhe "as melhoras".

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