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Conceição sem travões

Raspanete ao japonês Nakajima após o final do jogo com o Portimonense voltou a mostrar a pior face do treinador do F. C. Porto. O ruído é música para os ouvidos dos rivais dos dragões. Do Benfica, portanto.

O emocionante Portimonense-F. C. Porto de domingo não terminou depois do último apito do árbitro Rui Costa e de Marcano ter marcado, aos 90+8 minutos, o golo da vitória portista (3-2). Quem viu o jogo no estádio ou, sobretudo, quem viu pela televisão, pôde assistir logo a seguir a mais uma demonstração da famosa fúria de Sérgio Conceição, que pelos vistos nada nem ninguém consegue travar. Nem o próprio. A vítima foi, desta vez, Nakajima, que sentiu na pele o sangue quente do treinador, numa reprimenda pública para o país ver em direto.

Que não restem dúvidas. Conceição tinha toda a razão para estar descontente pela forma como o japonês se exibiu em campo, a partir do momento em que substituiu Luis Díaz, aos 73 minutos. Claramente um peixe fora de água na equipa azul e branca, Nakajima não fez nada direito, perdeu bolas comprometedoras, não ajudou a fechar o flanco esquerdo, quase não existiu no ataque. E quatro minutos depois de ter entrado, já o Portimonense recuperara da desvantagem de dois golos com que tinha chegado ao intervalo.

Sem que fosse o único culpado pela igualdade que Marcano haveria de desfazer no último suspiro, longe disso, provou-se que Nakajima não devia ter entrado. Sérgio Conceição admitiu-o, quando disse que foi ele a complicar o jogo, tendo em conta que a substituição de Díaz pelo nipónico foi a única efetuada antes dos golos da equipa algarvia. A seguir, entraram Soares e Fábio Silva, quando o F. C. Porto tentou tudo para ir em busca do triunfo.

Nada disto anula, no entanto, a evidência de que o treinador dos dragões não pode, ou não deve, ter uma reação daquelas em pleno relvado. Nakajima ia cumprimentar jogadores do Portimonense? Normal. Foi lá que começou a carreira no futebol europeu. Com toda a certeza nem sequer percebeu o que Conceição lhe estava a berrar, a ponto de este quase lhe ter encostado a cabeça, perante o sorriso amarelo do japonês e a incredulidade de Corona e Otávio, que fizeram o possível para amenizar a situação.

A atitude do treinador, ainda por cima depois de um jogo que ganhou, vai servir para os rivais do F. C. Porto, leia-se Benfica, tirarem partido e espalharem aos quatro ventos uma suposta instabilidade no balneário azul e branco, que já teve um episódio na pré-época, quando Danilo foi expulso do estágio no Algarve depois de uma discussão com Sérgio Conceição. Numa época em que procura voltar aos títulos que lhe fugiram na anterior, e que já começou muito mal com a eliminação da Liga dos Campeões, amenizada a seguir pela vitória na Luz, o técnico dispensava o ruído. Ou será que não?