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Conselho Europeu: afinal, há esperança

Conselho Europeu: afinal, há esperança

Não são os eurobonds nem é a emissão de dívida conjunta, mas é uma esperança. Para cada país, mas também para a Europa. Ainda pode correr mal, mas para já vale a pena respirar. E esperar. O calendário aponta para 6 de maio.

O Conselho Europeu desta quinta-feira aprovou a criação de um fundo de recuperação económica para socorrer os Estados ao longo dos próximos três anos. Aparentemente, os tais 12 zeros de que falava Mário Centeno na entrevista ao "Público" desta segunda-feira reuniram consenso. Podem ser quase dois biliões de euros, isso mesmo, milhões de milhões de euros. Uma injeção que, como notou António Costa, é três vezes superior às três linhas de emergência aprovadas pelo Eurogrupo (540 mil milhões de euros que começam a ser injetados na economia a partir de 1 de junho).

A questão, agora, é saber quanto e quando vai chegar esse dinheiro. E, mais importante do que isso, saber como será distribuído esse dinheiro, se através de subvenções, ou de empréstimos ou, como quase tudo na Europa, através de um mecanismo que fica entre uma coisa e outra. E, não menos importante, saber como será contabilizada a dívida, com que juros, e na conta de quem aparecerá, se na de cada país (Portugal, que está a caminho de uma dívida de 115%, rapidamente dispararia para o descalabro) ou da União Europeia.

Para já, o que se sabe é que Ursula von der Leyen ficou incumbida de fazer o levantamento das necessidades dos 27 estados-membros e de combinar essas necessidades com as possíveis ferramentas de apoio. É o tal documento que terá de ser apresentado dentro de duas semanas, a 6 de maio.

Sabe-se também que quatro países (Holanda, Áustria, Dinamarca e Suécia) votam num apoio contra-reembolso, ou seja, tudo conta como empréstimo. A Alemanha, que nos habituámos a diabolizar, aprendeu a moderação e aponta ao centro, metade com recurso a fundos e outra metade a crédito. Portugal, Espanha, Itália e Grécia, sem surpresa, votaram na subvenção.

Vale a pena lembrar que esta decisão terá de ser tomada por unanimidade. E que, por isso mesmo, deverá exigir um encontro físico e não uma vídeoconferência como a de hoje, o que poderá vir a acontecer só depois do verão.

Ainda falta quase tudo, mas o primeiro sinal está dado. Como disse George Steiner, " a história europeia está repleta de longas marchas". Esta será só mais uma.

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