Newsletter Editorial

Contas e eleições

A mês e meio do ato eleitoral no F. C. Porto, a SAD dos dragões apresentou contas catastróficas no primeiro semestre do exercício de 2019/20. Com a luta pelo título ao rubro, o clube azul e branco está numa encruzilhada.

A notícia caiu como uma bomba, por muito que tenha chegado num sábado ao fim da noite, com a madrugada ao virar da esquina: os primeiros seis meses de gestão da SAD portista na época em curso terminaram com um prejuízo recorde de 51,8 milhões de euros. Horas depois, num domingo com pouco futebol, surgiu o primeiro concorrente de Pinto da Costa nas eleições de 18 de abril, o jurista e comentador do Porto Canal, José Fernando Rio. Não será de admirar que os próximos dias tragam outros nomes para a corrida e Martins Soares, candidato em 1991, já está a posicionar.

Por muito que a sociedade que gere os destinos do F. C. Porto justifique os péssimos resultados com a ausência da Liga dos Campeões - é um facto, mas se o clube não disputar a competição milionária nos próximos anos, vai deixar de existir? - os números são assustadores para o comum dos adeptos: 444 milhões de passivo, 86,9 milhões de capitais próprios negativos, 9,5 milhões por pagar a jogadores em prémios, obrigatoriedade de realizar cerca de 100 milhões em vendas de jogadores até ao fecho do exercício, a 30 de junho... Isto com a empresa auditora das contas a avisar desde já que a SAD precisa de ser "bem sucedida" no mercado de transferências para que a viabilidade do Grupo F. C. Porto não esteja em causa.

Pinto da Costa não quis vender jogadores em janeiro para não tirar competitividade à equipa de Sérgio Conceição na luta pelo título com o Benfica, o que se percebe. No verão passado, a SAD azul e branca gastou quase 60 milhões de euros em contratações, outro valor recorde, para que essa luta não estivesse hipotecada à partida. É mais difícil de aceitar, mas também se percebe. Com as contas agora apresentadas, mesmo sabendo que são semestrais, o que não se está a ver é como é que o F. C. Porto vai ter uma equipa competitiva na próxima época. Se os bons jogadores são para vender e não deve haver dinheiro para contratar outros de qualidade igual ou superior...

Na perspetiva dos adeptos, só uma coisa pode atirar estes resultados financeiros para debaixo do tapete durante mais algum tempo: ganhar o título nacional e, com isso, garantir entrada direta na Champions da próxima época, que significará um encaixe mínimo de 50 milhões para a SAD. Mais uma vez, cheguem-se à frente Sérgio Conceição e os jogadores, que mostraram na semana passada não ter dimensão para se baterem de igual para igual com uma equipa da classe média-alta europeia como o Bayer Leverkusen. Sem título, pode não haver Liga dos Campeões, como não houve este ano, e pode deixar de haver F. C. Porto como o conhecemos.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG