Newsletter Editorial

Despedir a toda a velocidade

Despedir a toda a velocidade

Metade dos clubes da 1.ª Liga já mudou de treinador quando o campeonato ainda nem sequer vai a meio. Sá Pinto é a "vítima" mais recente

Portugal não é o Brasil no que ao despedimento de treinadores de futebol diz respeito, mas anda lá perto. Decorridas 14 jornadas do principal campeonato nacional, mais três eliminatórias da Taça e as primeiras fases da Taça da Liga, nove dos 18 técnicos que iniciaram a época já deixaram o cargo, em nova prova inequívoca de que tempo para apresentar resultados é coisa que não existe.

A demissão mais recente foi para Sá Pinto, a quem nem a proximidade do Natal valeu para se manter ao leme do Sporting de Braga. O antigo internacional português qualificou a equipa minhota para os 16 avos de final da Liga Europa, depois de um percurso brilhante nas pré-eliminatórias e na fase de grupos, e também logrou o apuramento para a final four da Taça da Liga, mas um péssimo percurso no campeonato (10.º lugar, com cinco vitórias, três empates e seis derrotas em 14 jogos) ditou o fim da linha. Segue-se Rúben Amorim, que nunca treinou um clube da divisão principal.

Antes do Braga, houve despedimentos no Paços de Ferreira (Filipe Rocha à quarta jornada), no Sporting (Marcel Keizer à quarta jornada), no Belenenses SAD (Silas à quarta jornada), no Aves (Augusto Inácio à sétima jornada), no Vitória de Setúbal (Sandro Mendes à oitava jornada), no Marítimo (Nuno Manta Santos à 11.ª jornada), no Moreirense (Vítor Campelos à 14.ª jornada) e no Boavista (Lito Vidigal à 14.ª jornada).

A lista é longa e inclui dois treinadores que já estão a treinar outra equipa do campeonato (Silas assumiu o comando do Sporting duas jornadas depois de ter saído do Belenenses SAD e Nuno Manta chegou ao Aves quatro jornadas depois de ter saído do Marítimo), mas adivinha-se que não fique por aqui, ou não fosse Portugal um dos países europeus em que os dirigentes têm menos paciência para aguentar maus resultados.

Curioso, ou talvez não, é que dois dos últimos técnicos despedidos deixaram o cargo depois de vitórias. Aconteceu a Campelos, que ganhou ao Belenenses SAD dois dias antes de o Moreirense lhe abrir a porta de saída, e a Sá Pinto, vitorioso em Paços de Ferreira na Taça da Liga, na véspera de ser demitido pelo Braga. Venham daí as apostas para descobrir quem será o próximo.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG