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E agora, Lisboa?

Já não se pode falar no "milagre português" na contenção da covid-19. Atualmente, a opinião dos especialistas divide-se em saber se o aumento de casos em Lisboa representa ou não o surgimento de uma segunda vaga da pandemia.

Investigadores do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) disseram, esta sexta-feira, que essa conclusão vai depender da evolução da situação na Região de Lisboa e Vale do Tejo (RLVT), das características dos novos casos e da evolução noutras regiões. Os dados da Direção-Geral da Saúde apontam para 451 novos casos esta sexta-feira, o número mais alto desde 8 de maio. Destes, 75% (339) são na RLVT.

Mas os especialistas também alertam para a importância da rapidez de isolamento dos novos casos e controlo dos seus contactos em poucas horas. E aí está uma das principais dificuldades dos profissionais de saúde pública que têm vindo a público.

Mesmo com o reforço anunciado pelo Ministério da Saúde de profissionais para realizarem inquéritos epidemiológicos, deverá ser difícil conseguir despistar rapidamente todos os contactos com um tão grande número de pessoas infetadas a surgir.

Mas o que é mais determinante são as condições de vida e de habitabilidade das populações que vivem nas 19 freguesias agora sujeitas a medidas adicionais. Na maioria dos casos, as residências são pequenas para o número de pessoas que lá vivem - que impedem que se cumpram as regras de isolamento social dentro da família.

As deslocações fazem-se em transportes públicos sobrelotados, apesar das medidas de reforço de carreiras entretanto anunciadas que pecam por tardias. E a falta de proteção social da maioria das pessoas que os utilizam, pois não têm direito aos apoios sociais, por terem vínculos de trabalho precários ou "informais", que lhes permitam ficar em casa e diminuir a exposição ao novo coronavírus, como autarcas da região têm denunciado.

Mas nem só de covid-19 se faz a atualidade deste "novo normal". Hoje ficou-se a saber que o ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, e os restantes 22 arguidos no caso do desaparecimento de armas em Tancos vão a julgamento.

A TAP continua na ordem do dia, desta vez com o Parlamento a chumbar a nacionalização da transportadora aérea defendida por BE e PCP. Todos os partidos admitem que a companhia não está bem, mas dividem-se sobre os culpados. A questão é: como sobreviverá a companhia aos efeitos da pandemia.

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